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Amar também é deixar ir

O Diário - 25 de junho de 2026

Amar também é deixar ir

Mari Armani, psicóloga e especialista em psicanálise. Instagram: @mariarmani.psi

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“Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.” O verso de Vinicius de Moraes traduz uma verdade que muitos relutam em aceitar: nem todo amor foi feito para durar para sempre. E isso não o torna menos verdadeiro.

A ideia do amor perfeito ainda alimenta expectativas irreais. Com o tempo, porém, a realidade aparece. O outro deixa de ser a projeção dos nossos desejos e se revela como alguém com limites, diferenças e imperfeições. É nesse momento que a relação amadurece ou se desfaz.

A psicanálise explica que amar não é encontrar quem nos complete, mas construir um vínculo possível entre duas pessoas incompletas. Por isso, relacionamentos saudáveis não são aqueles sem conflitos, mas aqueles capazes de atravessá-los com respeito, diálogo e disposição para crescer.

Em uma sociedade marcada pela pressa e pela lógica da substituição, sustentar vínculos tornou-se cada vez mais difícil. Muitas vezes, qualquer desconforto é visto como sinal de que algo deu errado. No entanto, divergências fazem parte de toda convivência real.

Mas existe um limite. Nem toda relação deve ser mantida a qualquer custo. Quando o amor dá lugar ao sofrimento constante, à estagnação ou à perda de si mesmo, encerrar uma história não é necessariamente um fracasso. Em muitos casos, é um ato de maturidade e respeito pelo que foi vivido. Amar também exige reconhecer quando já não há mais caminho a ser construído juntos.

No fim, a grande prova do amor talvez não seja apenas saber ficar, mas ter a coragem de deixar ir quando permanecer deixa de fazer sentido.