Anos 80
O Diário - 13 de setembro de 2026
Rogério Ferreira da Silva é cirurgião dentista
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Essa semana virou uma moda todo mundo postar no Instagram uma foto pessoal remetendo aos anos 80, e isso me fez penar algumas coisas.
A gente não pode voltar para os anos 80, mas ainda pode trazer algumas coisas de volta. Pode deixar o cabelo ter volume, usar mais cor, colocar a ombreira, a calça com cintura alta, o batom que gosta. Se você gosta disso, já é motivo suficiente para trazer de volta. Escuta aquela música que te faz feliz (Irene Cara – Flashdance, por exemplo) em volume alto, dança na cozinha, no carro, na sala, sem precisar parecer bonito pra ninguém. Talvez nos anos 80 a gente soubesse fazer uma coisa muito bem: Ser quem a gente era antes de perguntar se os outros iam gostar. A gente foi crescendo e, junto vieram os padrões, as opiniões, o será que pode? Será que combina? Será que vão achar demais? E sem perceber, a gente foi se editando. Tirando a cor, baixando o volume, falando mais baixo, escolhendo o seguro, tentando não chamar atenção demais. Só que tem uma coisa: Ser feliz também é poder ser quem você é! A gente não pode voltar no tempo, mas poder fazer diferente daqui para a frente. Mais cor, mais música, mais personalidade, mais presença, mais de você na sua própria vida. Então deixa o cabelo grande, usa o batom vermelho, aumenta a música, veste o que ama, faz mais do que te faz feliz e, principalmente, não passa a vida toda tentando ser menos do que você é. Porque talvez a felicidade tenha muito a ver com isso, ter liberdade para ser inteiro.
Talvez naquela época cada um simplesmente seguisse mais a própria essência, um cabelo diferente, uma roupa diferente, um jeito diferente de ocupar o mundo. Hoje com tantas referências para seguir, às vezes parece que viramos um exército tentando caber no mesmo padrão. Que a gente tenha coragem de fazer o caminho contrário: olhar para dentro e voltar a ser quem a gente é. Um ótimo domingo para você.