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Artesão faz do trabalho o seu legado

O Diário - 31 de dezembro de 2025

Artesão faz do trabalho o seu legado

ARTESÃO: Adir têm dedicação integral nos trabalhos que faz

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Descobri Adir Roberto Ferrari quase como quem encontra uma história escondida no cotidiano. Artista do concreto e do trabalho, ele vive o lema que carrega consigo: “trabalho, dedicação e amor naquilo que faz.” À frente de uma empresa de vasos artesanais em Barretos, Adir construiu sua trajetória com esforço, fé em Deus e dedicação diária, transformando matéria-prima em peças que embelezam lares e levam o nome da cidade para outras regiões.

Nascido em Parapuã, veio ainda jovem para Barretos com os pais, Alcides Ferrari e Ilde Vicentine Ferrari. É pai de Tatiane Cristina Ferrari e de Gustavo dos Santos Ferrari, que hoje trabalha ao seu lado na empresa. A seguir, Adir conta sua história.

“Adir- entre vasos, fé e perseverança”
Rosa: Adir, fale-me sobre sua empresa.

Adir: Há 31 anos trabalho com a confecção de vasos artesanais. Comecei em junho de 1994. Antes de possuir a fábrica, trabalhei no Frigorífico Anglo como empilhador, isto é, trabalhava com a empilhadeira.

Rosa: Como aconteceu de você sair do Frigorífico Anglo e se transformar em empresário? Herdou a empresa de seus pais?

Adir: Não. Veio de um amigo que quis parar e, com as economias que eu tinha, saí do Anglo e investi tudo na fábrica dele, que era no outro lado da rua.

Rosa: Quando você montou a empresa aqui, quais foram os desafios que enfrentou?

Adir: Comecei com pouco dinheiro, e as coisas eram muito caras. Os vasos eram feitos com molde de areia de estrada e revestidos com massa. Conforme fui ganhando dinheiro, passei a investir na empresa e em formas de fibra para fazer os vasos do jeito que saem hoje.

Rosa: Algum dia você pensou em desistir?

Adir: Apesar das dificuldades, nunca pensei em desistir. Tudo o que consegui saiu daqui. Pretendo passar a empresa para meu filho, que trabalha comigo. O negócio evoluiu muito ao longo dos anos.

Rosa: O que você acredita que fez sua empresa prosperar?

Adir: No início, eu vendia vasos na rua, numa carrocinha. Não rendia. Então comecei a procurar lojistas, vendendo mais barato para eles terem lucro. A quantidade vendida compensava o preço.

Rosa: A persistência ajudou no sucesso?

Adir: Sim. Se eu não tivesse força de vontade, levantar cedo e trabalhar o dia todo, tudo ia para o brejo rapidinho.

Rosa: Você sente orgulho de levar o nome de Barretos para outras cidades?

Adir: Sim. Quando meu caminhão sai daqui carregado de vasos, vai em nome de Barretos, com nota fiscal da Indústria e Comércio de Vasos Ferrari de Barretos.

Rosa: Você tem boas relações com seus clientes?

Adir: Graças a Deus, tenho boas relações com todos. Atendo mais de cinquenta clientes na região e muitos ainda vêm buscar aqui.

Rosa: Existe alguma história marcante com cliente?

Adir: Sim. Dona Isabel, de Olímpia, foi uma cliente marcante. Nos tornamos amigos. Ela parecia minha mãe. Sempre me recebia com café da manhã. Fui ao enterro dela com muita tristeza.

Rosa: Você já recebeu algum reconhecimento oficial pelo seu trabalho?

Adir: Não. Já me ofereceram terreno no Distrito Industrial, mas preferi ficar aqui, onde tudo já estava organizado e pago.

Rosa: Você se arrependeu dessa decisão?

Adir: Não. Hoje está difícil encontrar gente para trabalhar.

Rosa: Quais são seus planos para o futuro?

Adir: O que consegui já está bom demais. Perdi minha esposa, vivo sozinho, ajudo meus filhos, amo minhas netinhas e meu trabalho.

Rosa: Que conselho você daria a quem está começando um negócio?

Adir: Está difícil montar uma empresa por falta de mão de obra. O funcionário não para, aprende e vira concorrente.

Rosa: Para finalizar, uma frase que represente seu trabalho.

Adir: Em primeiro lugar, Deus. Depois, lutar para que o mundo tenha pessoas que amem o trabalho, porque ele gera união e prosperidade.

Por Rosa Carneiro