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As luzes de Natal

O Diário - 23 de dezembro de 2025

As luzes de Natal

KARLA ARMANI, historiadora e cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani

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Existe uma estorinha na minha família que minha mãe reconta sempre nesta época do ano. Era Natal, devia ser pelos idos de 1992, imagino eu. Minha mãe lembra que meu avô, Antônio, em seu Fusca 1976, cor ocre, saindo do bairro América, me levou para ver a praça iluminada pelas luzes natalinas. À época, “ir à praça” já era um acontecimento, quando estava iluminada, ainda mais! Meu avô contava que eu, uma criança de quatro anos mais ou menos, quando vi as luzes natalinas nas árvores e todo aquele brilho, suspirei e exclamei com os olhos arregalados de encanto: “A praça!”. O meu jeito de dizer “A praça!” foi tão espontâneo e surpreso, que em todo Natal essa história se repete.

            Conto isso para exemplificar o quanto as luzes natalinas nos enchem os olhos de fascínio e o espírito de paz interior. Talvez seja por esse motivo que nós, barretenses, mesmo adultos, sempre esperamos a iluminação natalina na Praça Francisco Barreto. Este ano, foi o Museu Ruy Menezes quem me fez reviver aquele encantamento de criança vendo a beleza das luzes natalinas em todos os seus contornos. Admirando-o, todo iluminado, não tive dúvidas de que ele se tornou o novo “cartão de visitas” da cidade nessa época do ano. Vejo as pessoas visitando sua fachada, tirando fotos, fazendo vídeos e buscando saber mais sobre o museu. (Objetivo atingido! Agora só falta a reforma). 

            A mim, a iluminação natalina me levou a 1911, quando a energia elétrica foi inaugurada em Barretos. Sabe-se que o prédio do Museu, primeiro Paço Municipal, foi inaugurado em uma época em que não havia energia elétrica e, por isso, suas janelas são tão amplas e numerosas: para a entrada de iluminação natural e ventilação. Interessante saber que a sessão solene de instalação da iluminação pública em Barretos ocorreu justamente no prédio do Paço. Além de um pomposo baile em seu salão principal, é claro. 

            Inevitável, portanto, imaginar o quanto a iluminação elétrica deve ter gerado encantamento nos barretenses de 1911, que viram o seu Paço Municipal sediar essa instalação. Situação provavelmente não diferente do fascínio dos barretenses de hoje quando veem esse mesmo prédio também iluminado, agora pelo Natal. Há coisas que o tempo não muda, e o encanto certamente é uma delas. 

KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora, cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani