Esqueci minha senha
Avanços versus retrocessos

O Diário - 27 de maio de 2026

Avanços versus retrocessos

Edinho Silva. Bacharel em Administração de Empresas e Direito

Compartilhar


Lembram do "Jogo de Amarelinha"...? Os da "melhor idade" certamente se lembrarão. Aquele jogo em que riscávamos as ruas de chão batido com um galho ou as ruas de paralelepípedo e asfalto com um tijolo branco. O jogo consistia em jogar uma pedra e, dependendo do quadrante em que ela caísse, avançávamos ou retrocedíamos. Havia também o desafio do "pula-pula", com uma ou duas pernas... regras simples, mas que carregavam uma sensação muito marcante: a frustração de voltar casas e precisar começar tudo de novo.

A grande questão é que continuamos — todos nós — jogando "Amarelinha" pela vida. Nas relações interpessoais, quando um deslize comportamental ou uma palavra mal colocada abala uma confiança construída durante anos. Nos tratamentos de saúde, quando alcançamos, depois de muito esforço, disciplina, medicamentos e restrições, indicadores excelentes... e basta uma semana desregrada para tudo voltar a preocupar. Na vida pública, quando uma gestão marcada por conquistas passa a ser lembrada por pequenos deslizes periféricos, explorados pela turma do "quanto pior, melhor". Nas empresas, quando processos complexos e estratégicos são conduzidos com excelência, mas um erro simples coloca em dúvida se os avanços eram sólidos ou apenas momentâneos.

Talvez essa seja a parte mais dura do jogo: perceber como anos para avançar podem ser abalados em poucos minutos de descuido. A vida moderna parece não tolerar retrocessos. Queremos apenas jogos em que se avance. Sem perdas. Sem retorno. Sem recomeços.

Mas amanhã talvez eu convide meu sobrinho para jogar "Amarelinha". Tenho quase certeza de que ele não aceitará. Nem as crianças do mundo atual parecem gostar de jogos em que, às vezes, é preciso voltar algumas casas para aprender a seguir em frente.