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Barretos há 130 anos

O Diário - 1 de setembro de 2026

Barretos há 130 anos

KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora e membro da cadeira 7 da ABC | @profkarlaarmani 

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O ano era 1896.

Barretos tinha outros contornos e era uma cidade muito interessante. Com comarca e paróquia já instaladas, o seu imenso território, um dos maiores do estado, tinha quase 14 mil km² de extensão. O “Almanach O Estado de S. Paulo”, de 1896, registrava que a população do município inteiro era de 20 mil habitantes e, na cidade, 5 mil pessoas. 

O município possuía um distrito de paz, com 511 eleitores e 300 prédios. Mesmo destacando-se pela pecuária, mantinha lavoura de café com produção de 1.500 arrobas. Eram considerados edifícios públicos a igreja e o matadouro, e, como estabelecimentos industriais: uma fábrica de cerveja, uma marcenaria, uma oficina de seleiro e uma de ferreiro. A autoridade eclesiástica era o padre Francisco Valente e o comandante da Guarda Nacional, o Cel. Antonio Marcolino Ozório de Souza. O intendente municipal era Silvestre de Lima, advogado. Além dele, só existiam outros dois advogados: o Cel. João Carlos de Almeida Pinto e o dr. Pedro Paulo de Souza Nogueira. Como engenheiros atuavam Francisco Crespo e Gentil de Assis Moura. Com 30 alunos, Pedro Paulo de Souza Nogueira Junior era o único professor particular registrado.

Naquele 1896, houve também acontecimentos importantes para a administração pública, como a vinda do primeiro juiz a exercer efetivamente a autoridade na comarca: o dr. Joaquim Fernando de Barros. O promotor público, dr. Antônio Olympio Rodrigues Vieira, personagem expressivo na cidade, também se instalou nesse ano. E, nesse universo das leis, há de se notar o principal acontecimento daquele período, no final de novembro: o assassinato de Severianinho, o “Terror de Barretos”, como ficou conhecido. Depois de ser autor de vários homicídios e amedrontar a população, ele foi assassinado por seus cunhados no Campo Redondo. Sua morte tornou-se um espetáculo para a imprensa e para a população da região, no ranchão em frente à Igreja, onde seu corpo ficou exposto.

Essa era a Barretos há 130 anos, em um tempo em que a fotografia não era popular, mas que a História, mesmo assim, consegue captar.