Belos tempos, velhos dias
O Diário - 12 de fevereiro de 2025
Rosa Carneiro é empresária e presidente da Academia Barretense de Cultura
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Antes e depois do avanço da modernidade, a nossa geração ficou em cima do muro.
Quando criança, brincava-se descalço, subiam-se em árvores, chupava-se manga no pé. A cana picada na canequinha de alumínio, era comum. As crianças brincavam de roda, pique de esconder no terreiro da casa-grande da fazenda, e o caminho do Grupo Escolar era feito de bicicleta. Na verdade, era uma vida muito simples, feliz, saudável e principalmente lúdica.
Terminada a infância, vem a adolescência, com todos os sonhos e exigências, responsabilidades e escolhas. Estudar sempre, trabalhar também, porém divertir-se de maneira extremamente saudável. Os bailes que iniciavam às 21 horas na companhia dos pais, e as festinhas terminavam à meia noite. Havia bailes aos domingos sem extrapolar o horário, pois na segunda feira a aula começava muito cedo. Não podia faltar um bate-papo no banco da praça, o “foot” no fim de semana em frente à Igreja e religiosamente, a missa no domingo de manhã.
Após a formatura, a grande preocupação era a conquista do emprego, pois casamento acontecia somente com emprego fixo. O namoro era sério, e o noivado, sem “o ficar” envolvido. Com tudo arrumado, agora vem a preparação para o casamento. A casa já tinha que estar comprada ou alugada. O enxoval também estava completo, a mobília adquirida. A festa estava programada e a lua de mel, programada e definida. Se possível fosse, casamento sem dívidas. A celebração na igreja enfeitada de flores e a benção do padre finalizava com “ até que a morte os separe.”
Ter um lar e uma família que perdurasse para sempre era o objetivo dos noivos, e tudo contribuía para que assim fosse com paciência, harmonia, doação mútua e a mão de Deus no comando.
Na verdade, 50, 60 anos é pouco para viver a felicidade de se possuir um lar, uma família: filhos , noras, genros e netos.
Agora tudo mudou. Sim, tudo se transformou. Pouco ou nada ficou dos tradicionais costumes. Tudo mudou: a valorização da vida, do casamento e da família.
O que fazer? Retroceder? Impossível! Mas que tal se inspirar nas experiências já vividas por nossos antepassados e procurar viver melhor?!