Bem aventurados
Diocese de Barretos - 2 de fevereiro de 2026
Por Dom Milton Kenan Júnio, Bispo de Barretos
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As Bem-aventuranças são o coração do Evangelho. E no coração do Evangelho encontramos a palavra felicidade. A vontade de Deus é que sejamos felizes. Quando ouvimos este texto temos a sensação de estar diante de Moisés que tendo subido o monte Horeb recebeu as tábuas da Lei. Jesus é o novo Moisés que proclama mais do que os mandamentos, as oito maneiras de ser verdadeiramente feliz. Mateus nos diz que Jesus se senta sobre o monte, uma das colinas que estão próximas do mar da Galiléia e tem diante de si a multidão: gente humilde, pobre, acostumada ao sofrimento, que é obrigado a sobreviver em condições muito precárias, que anseia por felicidade mas acredita que isso não é para ela, acostumada a conviver com o que é sempre difícil, com aquilo que custa e muitas vezes o preço é bem alto. “Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los” (v.1). Eram elas que formavam o auditório de Jesus. São Paulo no trecho da Carta aos Coríntios que é proclamada hoje (1 Cor 1, 26-31) ajuda-nos a entender quem eram os que se aproximavam de Jesus para escutá-lo: “Pois entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana nem muitos poderosos nem muitos nobres” (v. 26). Entretanto, os critérios de felicidade de Jesus não correspondem aos nossos critérios. Para Jesus a felicidade não está na posse dos bens, no uso do poder, na ilusão da fama e do prestígio. Tudo isso é muito pouco para satisfazer plenamente o coração humano. A felicidade para Jesus está em servir, em perdoar, compreender e socorrer, em construir pontes e não muros, e olhar o mundo com os olhos de uma criança capaz de descobrir os vestígios de Deus em tudo o que nos cerca. Esses muitas vezes parecem viver na contramão da história, eles pouco contam ou quase sempre perdem; mas, na verdade são felizes. As Bem-aventuranças traçam para nós o perfil de Jesus. Elas nos falam da sua vida, fala do coração novo sonhado pelos profetas para cada pessoa, diz que assim ele viveu: pobre, de rico que era, manso, pacífico, faminto de justiça, com olhos puros e claros capazes de ver os sinais de Deus por toda parte e os sinais de bondade dentro de cada pecador, perseguido e misericordioso, perseguido e crucificado. Mas, justamente por isso, Ele é o Ressuscitado, o Reino é seu, herda a terra, é Filho de Deus, vê Deus, é o consolador que sabe consolar. Mas, as bem-aventuranças também traçam para nós o perfil de toda pessoa, livre do engano e da violência, livre e libertador, simples e serviçal, compreensivo e fiel, bondoso e justo, humilde e servo de todos. Hoje, Jesus continua a nos convidar a tornar-nos seus discípulos livres, humildes, compreensivos e cheios de bondade. Só assim a felicidade será uma realidade para nós! Vivendo assim antecipamos para esta vida a vida do Reino que ele prepara para nós.




