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Bispo participa de processo de beatificação de religiosa

Sandra Moreno - 5 de fevereiro de 2026

Bispo participa de processo de beatificação de religiosa

RELIGIÃO: Dom Milton junto ao túmulo da religiosa Maria da Trinidade em Jerusalém

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A participação do bispo da Diocese de Barretos, Dom Milton Kenan Júnior, no processo de beatificação e posterior canonização da religiosa Maria da Trinidade, do Mosteiro das clarissas, em Jerusalém, teve relevância no final de janeiro, quando ele esteve na Terra Santa para ser oficialmente ouvido pelo tribunal responsável pela causa de beatificação da religiosa. A abertura do processo ocorreu em 30 de abril de 2025, no mosteiro, local onde ela viveu seus últimos anos e onde estão preservados seus escritos espirituais.

Nascida Louisa-Elisa Jaques, em 26 de abril de 1901, em Pretória, na atual África do Sul, foi criada na Suíça. Calvinista, foi batizada na Igreja Católica em 1928. Em 1938 ingressou no Mosteiro das Clarissas, em Jerusalém, onde passou a viver sob o nome de Maria da Trinidade.  A partir de 1940, começou a registrar anotações espirituais que mais tarde deram origem à obra Colóquio Interior, considerada central para o reconhecimento de sua experiência mística.

Esses escritos chegaram às mãos de Dom Milton Kenan quando ele tinha 18 anos e ainda era seminarista. “Desde aquele tempo, ela nunca deixou de me acompanhar. Mesmo quando minha vida seguiu outros caminhos — do seminário ao sacerdócio e depois ao episcopado —, a figura de Maria da Trinidade permaneceu como uma inquietação constante”, relatou.

Já como bispo, Dom Milton retomou o contato com o Mosteiro das Clarissas de Jerusalém e passou a receber materiais, livros e documentos sobre a religiosa. Esse diálogo levou ao convite para colaborar com o processo de beatificação, incluindo o pedido para que escrevesse ao Patriarca de Jerusalém manifestando as razões pelas quais considerava oportuna a abertura da causa.

No final de janeiro, Dom Milton foi chamado a depor perante o tribunal eclesiástico responsável pelo processo. “Eles quiseram saber o que, na vida e nos escritos dela, mais me tocou, e de que maneira esse testemunho continua falando à Igreja e às pessoas do nosso tempo”, explicou.

Durante cerca de dez dias em Jerusalém, Dom Milton ficou hospedado no Convento São Salvador, da Custódia da Terra Santa, próximo ao Santo Sepulcro e à Via Dolorosa. Para ele, estar na Terra Santa durante essa etapa do processo teve um significado especial. “Viver ali, onde Jesus santificou com a sua presença os últimos passos de sua vida, e ao mesmo tempo colaborar com a causa de Maria da Trinidade, deu ainda mais sentido a tudo o que ela escreveu e viveu”, afirmou.

Maria da Trinidade morreu em 25 de junho de 1942, vítima de febre tifoide, aos 41 anos, após apenas quatro anos de vida religiosa. “Conhecer Maria da Trinidade é um privilégio. Fazer parte dessa história é algo que toca a gente por dentro e ajuda a compreender como Deus age de forma silenciosa, mas profunda, na vida das pessoas”, concluiu.

Frei Ulise Zarza é vice-postulador do processo de beatificação, aqui ao lado de Dom Milton