Câncer infantil exige atenção constante para diagnóstico precoce
Sandra Moreno - 15 de fevereiro de 2026
DIAGNÓSTICO: Gisele é médica oncologista pediátrica do HA -Infantojuvenil de Barretos-Foto Janio Munhoz
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Dia 15 de fevereiro marca a mobilização internacional pela causa, reforçando que informação e alerta salvam vidas
O dia 15 de fevereiro é lembrado mundialmente como o Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil, uma mobilização global que chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento especializado. No Brasil, a conscientização também é reforçada em 23 de novembro, data nacional dedicada ao tema. No entanto, especialistas alertam que a vigilância deve ser permanente.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o triênio 2026–2028 o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano. Desse total, aproximadamente 8 mil casos anuais atingem crianças e adolescentes de 0 a 19 anos — o que representa cerca de 3% das ocorrências. Mesmo sendo considerado raro, o câncer infantojuvenil é a principal causa de morte por doença nessa faixa etária no Brasil.
Entre os tipos mais frequentes estão as leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas. Com diagnóstico precoce e tratamento realizado em centros especializados, a taxa de cura pode chegar a 80%, índice semelhante ao de países desenvolvidos.
A médica oncologista pediátrica do Hospital de Amor Infantojuvenil de Barretos, Gisele Eiras Martins Jorge, reforça que, ao contrário do câncer em adultos, na infância não se fala em prevenção, mas sim em diagnóstico precoce.
“Em criança, a gente não fala de prevenção como no adulto, que envolve hábitos de vida e exposição a fatores de risco. A nossa principal arma é o diagnóstico precoce”, explica.
A médica chama atenção para o papel fundamental da comunidade e dos profissionais que convivem diariamente com a criança. “Professores, agentes de saúde, médicos da unidade básica têm uma importância enorme. Eles estão na linha de frente. Ninguém precisa saber diagnosticar, mas precisa pensar que câncer infantil existe.”
Entre os sinais de alerta, sintomas que muitas vezes se confundem com doenças comuns da infância, como gripes ou sinusites, merecem investigação quando persistem por mais de uma semana ou apresentam piora progressiva.
“Tudo que foge do habitual precisa acender um alerta. Uma dor abdominal que não melhora, uma cefaleia acompanhada de vômitos que evolui com alteração na visão ou no equilíbrio, um aumento do abdômen, uma secreção persistente em apenas uma narina. Se não melhora com o tratamento habitual, é preciso investigar”, orienta.
Para Gisele, os casos que chegam tardiamente geram frustração. “Às vezes poderia ter um desfecho diferente. O diagnóstico tardio pode impactar na sobrevida e na complexidade do tratamento.”
Mais do que marcar uma data, o 15 de fevereiro reforça um recado essencial: o câncer infantil é raro, mas existe. E reconhecer precocemente os sinais pode significar a diferença entre um tratamento mais simples e maiores chances de cura.



