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Canetas milagrosas: o novo atalho para o corpo ideal?

O Diário - 17 de junho de 2026

Canetas milagrosas: o novo atalho para o corpo ideal?

Clara Grillo Pereira de Mello, estudante do 3º período do curso de medicina da FACISB, orientada pela profª Larissa Vedovato Vilela de Salis

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Atualmente, as chamadas “canetas emagrecedoras” se tornaram um assunto amplamente comentado nas redes sociais e em todo o mundo. Com a popularização do assunto muitas informações passaram a circular de forma distorcida, criando uma falsa percepção sobre esses medicamentos e, dessa forma, acarretando em um uso inadequado e muitas vezes sem acompanhamento médico. 

A Tirzepatida, composto presente em uma das canetas mais usadas, como o Mounjaro, foi inicialmente introduzido na prática médica para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, com foco no controle glicêmico. Posteriormente, estudos clínicos conduzidos especificamente em indivíduos com sobrepeso e obesidade, evidenciaram perda de peso significativa com o uso da medicação, o que levou à sua aprovação também para o tratamento da obesidade. A partir disso, difundiu-se a ideia de que essas “canetas milagrosas”  seriam uma ferramenta rápida e simples para qualquer pessoa que quisesse perder peso. No entanto, seu uso não é indicado  para todos e nem de forma aleatória. A diretriz brasileira de tratamento farmacológico da obesidade recomenda o uso da droga para pacientes com sobrepeso ou obesidade e o uso deve ser concomitante à mudança de estilo de vida, como uma alimentação saudável e atividade física regular. A mudança de hábitos de vida, além de ampliar e acelerar o efeito do medicamento, também contribui para a prevenção de complicações. Além disso, é importante destacar que a perda de peso promovida por esses compostos não ocorre exclusivamente às custas de gordura corporal, podendo haver também redução de massa magra (músculos). Por isso, recomenda-se que o paciente realize atividades físicas que favoreçam a preservação e o ganho de massa muscular. Vale ressaltar ainda que a obesidade é uma doença crônica, e seu  tratamento deve ser feito de forma contínua, individualizada e sempre com acompanhamento médico.

Em suma, a saúde é resultado de hábitos diários; mesmo com intervenções farmacológicas, a alimentação saudável e prática de atividade física permanecem imprescindíveis para uma vida saudável.