Cargas desnecessárias
O Diário - 27 de fevereiro de 2025
Rosa Carneiro é empresária e presidente da Academia Barretense de Cultura
Compartilhar
Um homem andava vacilante pela estrada. Em uma das mãos, levava um tijolo, e na outra, uma pedra. Nas costas, carregava um saco de terra e do pescoço pendia algumas vinhas. Completando a estranha carga, equilibrava sobre a cabeça, uma pesada abóbora. Sua figura chamava atenção e um transeunte o deteve e lhe perguntou: por que você carrega esta pedra tão grande? O viajante olhou para a mão e comentou: Estranho, eu nunca havia notado que a carregava. Assim dizendo, lançou fora a pedra e continuou sua marcha, sentindo-se agora bem melhor. Mais adiante, outro transeunte o indagou: você parece muito cansado, porque carrega uma abóbora tão pesada na cabeça? O viajante disse: Estou contente pela pergunta, eu nem havia notado, deve ser por isso que minha cabeça dói tanto! Então jogou para longe a abóbora e prosseguiu o caminho, agora assobiando com passos mais leves. Assim foi pelo caminho. Cada pessoa que o encontrava, falava-lhe de um dos pesos que levava. Por sua vez, o viajante ia descartando um a um, até se tornar um homem livre e caminhando como tal. Seus problemas acaso era uma pedra, o tijolo e a abóbora. Naturalmente, não. Era a falta de consciência da existência delas. Quando a viu como cargas desnecessárias, lançou-as longe, liberando-se. Esse é o problema da maioria de todos. Carrega-se a pedra dos pensamentos negativos, o tijolo das más impressões, a pesada carga de culpas pelo que se poderia ter evitado. Pendura-se ao pescoço a autopiedade, conceitos de punição e o sentimento de que tudo está perdido sem solução e a indagação do porquê do cansaço, desânimo e falta de energia. Neste momento, vem a necessidade de uma pausa para a reflexão e a conscientização da inutilidade de carregar a carga da mágoa, o mármore do remorso e a lápide da culpa, seja do tijolo ou de uma grande pedra de queixas. É hora de lançar tudo para bem longe!
Há que se aprender a libertar-se e conseguir mais leveza pela estrada da vida. Caminhar como quem anda ao sol, respirando o ar da manhã enchendo os pulmões e oxigenando o cérebro. É preciso desafogar o coração dos quilos de mágoa e viver lucidamente com objetivos maiores sem culpar a outrem pelo desânimo e o cansaço. Quando pensamentos negativos vierem a torturar a mente, substitua por outros pacíficos.