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Carta aos “esclarecidos”

O Diário - 16 de julho de 2026

Carta aos “esclarecidos”

Luiz Roberto Rodrigues Júnior é advogado especializado em Propriedade Intelectual e Direito da Inovação, pela FGV

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Este texto é dedicado aos “esclarecidos”. Não aos que buscam sinceramente compreender a realidade, mas àqueles que “já a alcançaram”, aos intelectualmente superiores e, justamente por isso, acreditam que qualquer agressividade se torna legítima para fortalecer sua luminosa narrativa.

Paradoxalmente, são eles que mais contaminam a comunicação pública, os “esclarecidos”. O algoritmo percebeu que indignação gera cliques e que certezas inabaláveis geram engajamento. Assim, discursos imbuídos de meias verdades, recortes convenientes, verificações superficiais, são validados... Desde que reforcem a narrativa do(s) grupo(s) ao(s) qual(is) pertencem.

A informação é verdadeira? A preocupação maior é saber se ela confirma aquilo em que já desejavam acreditar, a verdade é tratada por vezes como desejável, porém, eventualmente, dispensável. A investigação é substituída pela necessidade de vencer o debate. Nesse processo, pessoas são reduzidas a rótulos e o diálogo desaparece. Cuidado, ó, “esclarecido”!  

Os maiores danos à comunicação nem sempre são causados pelos “ignorantes”. Frequentemente, nascem daqueles que se julgam “sensatos”, pois a convicção de possuir a verdade torna desnecessária, aos seus próprios olhos, a prudência, a escuta e a autocrítica. O verdadeiro esclarecimento não produz arrogância, mas humildade intelectual. Quem realmente ama a verdade aceita revê-la continuamente. Afinal, a verdade não precisa de ódio para se sustentar. E talvez ela não gere nem engajamento.