César Lattes, Paulo Prata e Maria Alves
O Diário - 13 de janeiro de 2026
KARLA ARMANI, historiadora e cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani
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Três personagens que apareceram nas pesquisas dessa historiadora durante a semana e, sem querer, se cruzaram, merecendo esta crônica. Voltemos aos interessantes anos 1940, no ambiente acadêmico da Universidade de São Paulo.
Enquanto pesquisava recortes de jornais sobre o dr. Paulo Prata, fundador do Hospital de Amor, me deparei com uma reportagem de 1949 que anunciava a participação dele em um congresso científico de Medicina no Rio de Janeiro. Ele estava prestes a se formar na USP, era o mês de setembro de 1949, quando apresentou o trabalho “Câncer de Esôfago e Cardia”. Seu trabalho foi classificado em 1º lugar na sessão de Cirurgia e Prata recebeu o Diploma “Visconde de Saboia”. Ocorre que, dentre as autoridades científicas presentes na Semana Científica, estava o físico César Lattes.
De imediato, ao ler o sobrenome do físico, me lembrei da Plataforma Lattes, atual base de dados que todo pesquisador brasileiro registra suas pesquisas. Tentando ligar o nome à pessoa, pesquisei e vi que o físico foi homenageado com o nome da plataforma por ter contribuído para a criação do CNPq no Brasil e por conta da sua expressão internacional enquanto cientista. Foi César Lattes um dos principais descobridores de uma importante partícula subatômica, contribuindo assim de forma decisiva para o desenvolvimento da Física Moderna. No entanto, em 1950, o prêmio Nobel de Física coube ao chefe do laboratório em que Lattes pesquisava, e não a ele. Por isso, o Brasil o homenageou para sempre eternizando seu nome na plataforma e currículo.
Não bastassem as informações sobre Lattes e a presença dele no trabalho de Prata, também me foi revelado que o físico estudou na USP na mesma época que uma conhecida barretense: a professora Maria Alves Barcellos de Oliveira. Nascida em Barretos em 1926, aos 20 anos, era formada na USP em Matemática e Física, sendo contratada para trabalhar no Instituto Astronômico e Geofísico. Assim, foi contemporânea de Lattes. Depois, Barretos voltou a ser a casa dela, assim como a do cientista Paulo Prata, que anos mais tarde fundaria um dos maiores orgulhos do país: o Hospital de Amor.
Três nomes, três cientistas, a nossa Barretos — e uma crônica para a semana.
KARLA ARMANI, historiadora e cadeira 7 da ABC, @profkarlaarmani



