Como Injetáveis para emagrecer afetam a digestação
O Diário - 22 de maio de 2026
Ana Luísa Motomiya, estudante do 1º período do curso de Medicina da FACISB, orientada pelo prof. João Luiz Brisotti
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Medicamentos injetáveis como a semaglutida (Wegovy®, Ozempic®), que tem o nome científico de análogos de GLP-1, foram originalmente criados para o tratamento de diabetes, porque controlam os níveis de açúcar no sangue. Esses injetáveis ganharam popularidade como uma solução para perda de peso, uma vez que os medicamentos retardam a passagem dos alimentos do estômago para o intestino, e compreender seu impacto na saúde gástrica é essencial. Terapias baseadas nesses medicamentos realmente conseguem regular o apetite, pois atuam por um mecanismo fisiológico central. Elas prolongam o esvaziamento do estômago, o que aumenta a sensação de saciedade, auxilia no controle do apetite e na redução da ingestão de calorias.
Entretanto, também podem causar desconforto, levando à sensação de “estômago cheio” e provocando náuseas, pois os alimentos permanecem no estômago por mais tempo e podem sofrer maior fermentação por bactérias ácido-lácticas, aumentando o acúmulo de ácido. Além disso, podem alterar o movimento natural dos intestinos e a digestão, desequilibrando a microbiota (flora) intestinal. Isto causa problemas digestivos a longo prazo, como a irregularidade das evacuações, sensibilidade digestiva para certos alimentos e, principalmente, diminui a absorção de nutrientes essenciais para o corpo. Este processo de digestão lenta pode fazer com que o corpo passe a ter dificuldade em absorver nutrientes de forma eficiente e, aqueles absorvidos no intestino delgado, como o ferro, o cálcio e a vitamina B12, podem ficar menos acessíveis, aumentando o risco de anemia, fraqueza e osteoporose.
Assim, medicamentos análogos de GLP-1, podem afetar a digestão e a função intestinal. A orientação médica adequada e a individualização do tratamento são essenciais para minimizar riscos à saúde. O uso consciente dessas tecnologias, adaptando o estilo de vida, dieta e suplementação alimentar são imperativas para um equilíbrio entre o uso do medicamento e a saúde digestiva.




