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Comparação

O Diário - 18 de janeiro de 2026

Comparação

Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Mackenzie

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Figura semântica

Ao contrário de outros recursos figurados que fundem conceitos de forma implícita, a comparação atua como um mecanismo de aproximação evidente, o que facilita muito o entendimento de uma mensagem. Como está no campo dos significados, essa figura de sentido não apenas enriquece a descrição textual, mas também ordena a percepção da realidade. Assim, é possível tirar duas ideias fundamentais dessa figura semântica: os conectivos que explicitam analogias e os atributos compartilhados entre os termos.

Na língua portuguesa, os conectivos possuem função estruturante porque explicitam analogias. São exemplos de conectivos: “como”, “tal qual”, “tanto quanto” entre outros. Em “O amor é como uma flor” ou “Ele é forte como um touro”, a presença do conectivo “como” delimita significados. Essa clareza sintática impede que o sentido figurado se torne ambíguo, garantindo que a comunicação seja “lida” prontamente. Logo, o adequado uso desses elementos gramaticais confere duas características essenciais à comparação: a organização e a inteligibilidade.

Outros aspectos da comparação dizem respeito à qualificação e à intensificação. A eficácia dessa figura de linguagem depende da seleção de um segundo termo que detenha, de forma nítida, a característica que se pretende ressaltar no primeiro. Por exemplo, em “branco como a neve” ou “rápido que nem um raio”, as palavras “neve” e “raio” caracterizam, respectivamente, branco e rápido. Portanto, a comparação bem-feita impede que o sentido figurado se torne ambíguo ao qualificar e intensificar um sentido. Isso porque o nexo lógico é estabelecido pelo autor de modo inexorável.

Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Mackenzie