Conectados, mas sozinhos
O Diário - 4 de junho de 2026
Mari Armani, psicóloga e especialista em psicanálise. Instagram: @mariarmani.psi
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Nunca foi tão fácil se conectar. Com um toque, falamos com pessoas em qualquer lugar, compartilhamos momentos e acompanhamos vidas em tempo real. Ainda assim, a solidão cresce de forma silenciosa.
Em casas, restaurantes e encontros familiares, a cena se repete: pessoas dividem o mesmo espaço físico, mas permanecem presas às telas. A convivência se transforma em presença ausente, marcada por notificações e interações superficiais.
A tecnologia deixou de ser apenas ferramenta e passou a ocupar função emocional. Diante do silêncio, da ansiedade ou do desconforto, muitos recorrem ao celular em busca de alívio imediato, o que reforça a dependência de estímulos constantes.
As redes sociais intensificam a busca por validação. Curtidas e visualizações passam a funcionar como reconhecimento, estimulando a exposição contínua da vida cotidiana. Assim, a sensação de conexão nem sempre corresponde a vínculos reais.
O paradoxo da era digital é claro: estamos sempre acessíveis, mas nem sempre emocionalmente disponíveis. Conversamos sem atenção, ouvimos sem escuta e compartilhamos sem criar intimidade.
Estudos e reflexões da psicanálise indicam que a solidão atual não nasce da falta de pessoas, mas da escassez de relações autênticas. Enquanto a tecnologia amplia o alcance da comunicação, também reduz espaços de presença e troca genuína.
Em um mundo hiperconectado, o desafio central é recuperar aquilo que nenhuma tela substitui: o encontro humano verdadeiro.



