Constituição dogmática Lumen Gentium – A Igreja, Povo de Deus
Diocese de Barretos - 25 de abril de 2026
Constituição dogmática Lumen Gentium – A Igreja, Povo de Deus
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Por Pe. Matheus Flávio, Vigário Paroquial Catedral, Barretos-SP
Continuando as catequeses do Papa Leão XVI sobre os documentos do Concílio Vaticano II, hoje a Constituição dogmática Lumen gentium, ao tratar da Igreja como Povo de Deus, insere esta realidade no grande desígnio da salvação que percorre toda a história. Deus, que criou a humanidade e deseja salvar todos, não age de forma abstrata, mas escolhe um povo concreto para manifestar o seu amor e realizar a sua promessa. Assim, chama Abraão e estabelece com ele uma aliança, prometendo-lhe uma descendência numerosa (cf. Gn 22,17-18), e, ao longo da história, acompanha este povo, educando-o na fé e reunindo-o sempre que se dispersa. Este povo, chamado a ser luz para as nações (cf. Is 2,1-5), encontra o seu cumprimento em Jesus Cristo. Como afirma o Concílio: “todas estas coisas aconteceram como preparação e figura da nova e perfeita Aliança que em Cristo havia de ser estabelecida” (LG 9). Em Cristo, sobretudo na dádiva do seu Corpo e Sangue, nasce definitivamente o novo Povo de Deus, reunido não por critérios humanos, mas pela fé e pela ação do Espírito Santo. A Igreja, portanto, é este povo novo, formado por homens e mulheres de todas as nações, culturas e línguas. O que o une não é uma identidade étnica ou cultural, mas a fé em Cristo. Por isso, o Concílio a define como a assembleia daqueles que “se voltam com fé para Cristo” (LG 9). Trata-se de um povo messiânico, cuja cabeça é o próprio Cristo, o Senhor e Salvador. Neste povo, o essencial não são os méritos ou as funções, mas a graça de ser filho de Deus. Antes de qualquer missão, o cristão é chamado a viver como filho no Filho, enxertado em Cristo. Este é o verdadeiro título de honra: participar da vida divina. Por isso, a lei que rege as relações no interior da Igreja é o amor, à imagem do amor de Cristo, e a sua meta é o Reino de Deus. Sendo povo de Deus, a Igreja não pode fechar-se em si mesma. Ela é, por natureza, universal e missionária. O Concílio afirma: “ao novo Povo de Deus todos os homens são chamados” (LG 13). Mesmo aqueles que ainda não conhecem o Evangelho estão orientados, de algum modo, para esta comunhão. Por isso, a Igreja é enviada a anunciar Cristo a todos, para que todos possam participar desta unidade. Num mundo marcado por divisões, conflitos e guerras, a Igreja como Povo de Deus torna-se sinal de esperança. Nela convivem pessoas de diferentes origens, unidas pela fé e chamadas à comunhão. Assim, ela é já, no coração da história, profecia da unidade e da paz que Deus deseja para toda a humanidade.




