Esqueci minha senha
Constituição dogmática Lumen Gentium – A Igreja, realidade visível e espiritual

Diocese de Barretos - 18 de abril de 2026

Constituição dogmática Lumen Gentium – A Igreja, realidade visível e espiritual

Constituição dogmática Lumen Gentium – A Igreja, realidade visível e espiritual

Compartilhar


Por Pe. Matheus Flávio, Vigário Paroquial Catedral, Barretos-SP

Continuando a tratar das catequeses do Papa Leão XVI sobre os documentos do Concílio Vaticano II, hoje a Constituição dogmática Lumen gentium ao aprofundar o mistério da Igreja, apresenta-a como uma “realidade complexa” (LG 8). Esta expressão não indica algo confuso ou complicado, mas uma unidade rica e harmoniosa de dimensões diversas. A palavra “complexa”, na sua origem, significa precisamente uma realidade formada pela união ordenada de vários elementos. Assim, a Igreja é ao mesmo tempo visível e espiritual, humana e divina, sem separação nem confusão. Por um lado, a Igreja é uma realidade visível. Ela é formada por homens e mulheres concretos, que vivem a fé no meio das alegrias e dificuldades da vida, anunciando o Evangelho e organizando-se em estruturas e instituições. Esta dimensão é perceptível na sua vida comunitária, na sua organização e na sua presença histórica. Contudo, esta dimensão, por si só, não esgota o mistério da Igreja. Por outro lado, a Igreja possui uma dimensão espiritual e divina. Ela nasce do desígnio de amor de Deus, realizado em Cristo, e é vivificada pelo Espírito Santo. Por isso, o Concílio afirma que a Igreja é simultaneamente “sociedade dotada de órgãos hierárquicos e corpo místico de Cristo, assembleia visível e comunidade espiritual” (LG 8). Trata-se de uma única realidade, na qual o humano e o divino se encontram profundamente unidos. Para compreender melhor este mistério, o Concílio convida-nos a olhar para o próprio Cristo. Quem encontrava Jesus via a sua humanidade concreta – o seu rosto, as suas palavras, os seus gestos –, mas, ao mesmo tempo, era conduzido ao encontro com Deus. Assim, a humanidade de Cristo tornava visível o Deus invisível. Do mesmo modo, a Igreja, mesmo marcada pela fragilidade dos seus membros, torna presente na história a ação salvífica de Cristo. Por isso, não existe uma Igreja ideal, perfeita e separada da realidade humana. Existe apenas a Igreja de Cristo, encarnada na história, composta por pessoas que caminham na fé, muitas vezes com limites e fraquezas. É precisamente nesta união entre fragilidade humana e presença divina que se manifesta a santidade da Igreja. Cristo continua a agir nela, servindo-se da pequenez dos seus membros para comunicar a sua graça. Este é o “método de Deus”: tornar-se visível através da debilidade humana. Diante desta realidade, somos chamados a olhar a Igreja com fé e humildade, reconhecendo a presença de Deus no meio das limitações humanas. Como exorta o Papa Francisco, é necessário “tirar as sandálias diante da terra sagrada do outro” (Evangelii gaudium, 169), reconhecendo a dignidade e o mistério presente em cada pessoa. Por fim, é a caridade que edifica verdadeiramente a Igreja. Como ensinava Santo Agostinho, “só ela vence tudo”. É na comunhão e no amor que a Igreja se torna aquilo que é chamada a ser: sinal vivo da presença de Cristo no mundo.