“Creio”: A Profissão de Fé que Sustenta a Vida Cristã
Diocese de Barretos - 25 de março de 2026
“Creio”: A Profissão de Fé que Sustenta a Vida Cristã
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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP
Nesta vivência do Ano da Fé em nossa Diocese, o que mais se ouvirá dizer é que precisamos professar a nossa Fé. Professar o “Creio” não é apenas recitar uma fórmula decorada, mas assumir, com consciência e amor, o núcleo da fé cristã. Cada vez que o cristão proclama o Credo, ele reafirma sua identidade, sua pertença à Igreja e sua confiança em Deus. O “Creio” é, ao mesmo tempo, oração, declaração e compromisso. Desde os primeiros séculos, a Igreja reconheceu a necessidade de sintetizar a fé recebida dos apóstolos. Assim nasceu o Credo, especialmente o Credo Apostólico e o Niceno-Constantinopolitano, que expressam de forma clara e profunda aquilo que cremos. Ao proclamá-lo, não estamos apenas repetindo palavras, mas entrando em comunhão com toda a Igreja, em todos os tempos e lugares. O início do Credo já revela sua profundidade: “Creio em Deus Pai todo-poderoso”. Essa afirmação é um ato de confiança. Crer é confiar, é entregar-se, é reconhecer que não estamos sozinhos. Em um mundo marcado por incertezas, professar a fé é afirmar que nossa vida está nas mãos de Deus. Mais do que um conjunto de verdades, o Credo é um encontro com a pessoa de Jesus Cristo. Cada artigo nos conduz ao mistério da salvação: a encarnação, a paixão, a morte e a ressurreição do Senhor. Ao professar a fé, o cristão não apenas recorda esses acontecimentos, mas se deixa transformar por eles. Santo Agostinho dizia: “Crer é aderir com o coração àquilo que se professa com os lábios.” Essa frase nos recorda que a fé não pode ser apenas exterior. Não basta dizer “Creio”; é necessário viver como quem crê. A profissão de fé precisa se traduzir em atitudes concretas: na caridade, na esperança, na fidelidade a Deus. Na liturgia, especialmente na Santa Missa, o momento do Credo é profundamente significativo. Após ouvir a Palavra de Deus, a comunidade responde professando a fé. É como dizer: “Senhor, acreditamos naquilo que nos revelaste”. Esse ato fortalece a comunhão entre os fiéis e renova o compromisso de viver o Evangelho. Além disso, o Credo também é uma arma espiritual. Em tempos de dúvida, crise ou tentação, professar a fé ajuda a firmar o coração. Rezar o “Creio” com consciência é reafirmar que Deus é maior que qualquer dificuldade. Santo Tomás de Aquino ensinava que o Credo é como um resumo luminoso da fé cristã, capaz de orientar a inteligência e fortalecer a vontade. Ele ilumina o caminho, recorda a verdade e conduz à vida eterna. No cotidiano, o cristão é chamado a viver aquilo que professa. Dizer “Creio na Igreja” implica amar e servir a comunidade. Dizer “Creio na vida eterna” muda a forma de encarar as dificuldades do presente. Cada palavra do Credo tem consequências práticas para a vida. Assim, professar o “Creio” é renovar diariamente a própria fé. É declarar, com humildade e confiança, que Deus é o centro da vida. É assumir um compromisso de viver segundo o Evangelho. No fim, o “Creio” não é apenas uma oração: é um caminho. Um caminho que começa nos lábios, desce ao coração e se torna vida.



