“Creio em Jesus Cristo, Filho Único de Deus”A fé cristã no coração do mistério de Cristo
Diocese de Barretos - 19 de fevereiro de 2026
“Creio em Jesus Cristo, Filho Único de Deus”A fé cristã no coração do mistério de Cristo
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Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos.
Entre todas as palavras que professamos no Credo, poucas são tão centrais quanto esta afirmação: “Creio em Jesus Cristo, Filho Único de Deus.” Ela não é apenas uma fórmula antiga, repetida ao longo dos séculos, mas o núcleo da fé cristã. No Capítulo Segundo do Catecismo da Igreja Católica, somos conduzidos ao mistério daquele que é o centro da história e da salvação: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O Catecismo começa explicando que o próprio nome “Jesus” não é casual. Ele possui significado profundo: “Jesus” quer dizer: ‘Deus salva’ (CIC, n. 430). Ao receber esse nome, o Filho eterno revela sua missão: salvar a humanidade do pecado e reconduzi-la ao Pai. Como afirma o Evangelho: “Tu lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21). Assim, o nome de Jesus é uma proclamação: Deus entrou na história para resgatar seus filhos. O Credo não diz apenas “Jesus”, mas “Jesus Cristo”. O termo Cristo significa “Ungido”, “Messias”. “Jesus é o Cristo porque Deus O ungiu com o Espírito Santo” (CIC, n. 438). Ele é o esperado pelas promessas feitas a Israel, aquele que cumpre as profecias e inaugura o Reino de Deus. São Pedro, iluminado pela graça, proclama: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Essa confissão permanece como fundamento da fé apostólica. O Catecismo nos leva ao ponto mais sublime: Jesus não é apenas um profeta ou mestre moral. Ele é o Filho eterno, gerado pelo Pai desde sempre. “O Filho de Deus assumiu uma natureza humana para realizar a nossa salvação” (CIC, n. 461). A Igreja professa que Jesus é consubstancial ao Pai, isto é, da mesma natureza divina. Como afirma o Evangelho de João: “No princípio era o Verbo… e o Verbo era Deus” (Jo 1,1). E ainda: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30). Crer que Jesus é o Filho Único significa reconhecer que, nele, Deus mesmo se aproximou de nós. O mistério do Filho único não permanece distante: ele se torna próximo. O Catecismo ensina que o Filho eterno se fez homem: “O Verbo se fez carne para nos salvar reconciliando-nos com Deus” (CIC, n. 457). A Encarnação não é um detalhe secundário, mas o maior gesto de amor divino. Deus entra no tempo, assume nossa fragilidade, partilha nossa condição. Como proclama São Paulo: “Ele, que era de condição divina… esvaziou-se a si mesmo” (Fl 2,6-7). O Filho único se torna irmão, para que nós nos tornemos filhos no Filho. Ao contemplarmos Cristo, descobrimos quem é Deus e quem somos nós. “O Filho de Deus… manifesta plenamente o homem ao próprio homem” (CIC, n. 459). Cristo revela o rosto misericordioso do Pai e mostra a verdadeira dignidade humana. Ele não apenas ensina o caminho: Ele é o Caminho. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Crer em Jesus Cristo, Filho único de Deus, não é apenas aceitar uma doutrina. É responder a um chamado. O Catecismo afirma: “Crer em Jesus Cristo é necessário para obter a salvação” (CIC, n. 161). Essa fé é uma adesão pessoal: confiar, seguir, amar, viver em comunhão com Ele.



