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“Creio na igreja una, santa, católica e apostólica”

Diocese de Barretos - 5 de março de 2026

“Creio na igreja una, santa, católica e apostólica”

“Creio na igreja una, santa, católica e apostólica”

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Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos.

O Catecismo da Igreja Católica aprofunda a profissão de fé que rezamos no Credo: a Igreja é Una, Santa, Católica e Apostólica. Essas quatro notas não são meros adjetivos; são dons de Deus e, ao mesmo tempo, tarefas permanentes. Elas revelam a identidade da Igreja e orientam sua missão no mundo. A unidade da Igreja nasce da própria unidade de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Não é fruto de consenso sociológico, mas comunhão na mesma fé, nos mesmos sacramentos e na mesma sucessão apostólica. A unidade é visível e espiritual: visível na profissão da mesma fé e na comunhão com o Sucessor de Pedro; espiritual na caridade que une os membros do Corpo de Cristo. A santidade da Igreja provém de Cristo, que a amou e por ela se entregou. A Igreja é santa porque seu Fundador é santo, porque o Espírito Santo a santifica e porque nela estão os meios de santificação — Palavra, sacramentos e caridade. Ao mesmo tempo, é composta por pecadores em caminho. Essa tensão não é contradição: a Igreja é santa na sua origem e missão; seus membros são chamados a tornar-se santos. “Católica” significa universal. A Igreja é enviada a todos os povos, culturas e tempos. Ela possui a plenitude dos meios de salvação e é chamada a anunciar Cristo até os confins da terra. A catolicidade também se expressa na riqueza das tradições litúrgicas e espirituais que convivem na mesma fé. A Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos, testemunhas da Ressurreição. Ela conserva e transmite fielmente o ensinamento apostólico por meio da sucessão episcopal, em comunhão com o Bispo de Roma. Ser apostólica significa guardar a fé recebida e ser enviada em missão. As quatro notas são inseparáveis: Sem unidade, a santidade se fragmenta. Sem santidade, a catolicidade perde credibilidade. Sem catolicidade, a unidade se fecha em si mesma. Sem apostolicidade, a Igreja perde sua identidade histórica e missionária. Na vida concreta das paróquias e comunidades, essas notas se traduzem em: Comunhão concreta com o bispo e o Papa; vida sacramental intensa; abertura missionária; fidelidade à doutrina apostólica. Crer na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica é professar que Deus continua agindo na história. A Igreja não é apenas uma instituição humana; é mistério de comunhão, sacramento universal de salvação. Pastoralmente, essa fé nos desafia a sermos construtores de unidade, buscadores de santidade, missionários universais e fiéis guardiões da tradição apostólica. Assim, a profissão de fé deixa de ser fórmula recitada e torna-se programa de vida.