“Creio na ressurreição da carne”
Diocese de Barretos - 2 de julho de 2026
“Creio na ressurreição da carne”
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Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos
A fé na ressurreição não é uma invenção tardia da Igreja, mas encontra seu fundamento na própria Ressurreição de Jesus Cristo. O Catecismo afirma: “O Credo cristão — profissão da nossa fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e na sua ação criadora, salvadora e santificadora — culmina na proclamação da ressurreição dos mortos no fim dos tempos, e na vida eterna” (CIC, 988). Desde os primeiros séculos, os cristãos reconheceram que a ressurreição dos mortos é um elemento essencial da fé. São Paulo chegou a afirmar: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã também a vossa fé” (1Cor 15,14). Por isso, a esperança cristã não se limita à imortalidade da alma, mas abrange a redenção da pessoa inteira, corpo e alma. A Ressurreição de Cristo é a garantia da nossa própria ressurreição. O Catecismo ensina: “A ressurreição dos mortos foi revelada progressivamente por Deus ao seu povo. A esperança na ressurreição corporal dos mortos impôs-se como uma consequência intrínseca da fé num Deus criador do homem todo, alma e corpo” (CIC, 992). Ao ressuscitar, Cristo venceu definitivamente o pecado e a morte. Sua vitória não é apenas pessoal; ela é também a promessa da vitória de todos os que lhe pertencem. O Catecismo declara: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que morreram” (CIC, 998). Ao professar a ressurreição da carne, a Igreja afirma que o corpo humano, criado por Deus e santificado pela Encarnação de Cristo, está destinado à glória e não à destruição definitiva. Essa verdade manifesta a dignidade do corpo humano, que não é uma prisão da alma, mas parte integrante da pessoa criada à imagem de Deus. A doutrina da ressurreição ilumina também o sentido da morte. O Catecismo ensina: “Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo” (CIC, 1010). A morte continua sendo consequência do pecado, mas, pela morte e Ressurreição de Cristo, tornou-se passagem para a vida eterna. Por isso, a Igreja reza pelos falecidos e celebra os funerais com esperança. A morte não representa o fim da existência, mas a entrada numa nova etapa da vida em Deus. Embora a plenitude da ressurreição aconteça no fim dos tempos, ela já começa espiritualmente no presente. O Catecismo afirma: “Pelo Batismo, o cristão já participa sacramentalmente na morte e ressurreição de Cristo” (cf. CIC, 1002). A graça batismal inaugura uma vida nova. O cristão é chamado a morrer para o pecado e ressuscitar para uma existência renovada em Cristo. Desse modo, a esperança futura transforma também o presente, inspirando uma vida santa e comprometida com o Evangelho.