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Da UTI para os braços da mãe após 103 dias do nascimento

Sandra Moreno - 9 de maio de 2026

Da UTI para os braços da mãe após 103 dias do nascimento

GRATIDÃO: Milena ao lado da filha e da equipe da Santa Casa

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O primeiro Dia das Mães de Milena Faga Ribeiro, de 28 anos, moradora de Bebedouro, será marcado pela superação. A filha dela, Ayla Faga Ribeiro Vieira, nasceu prematura extrema, com apenas 25 semanas e 2 dias de gestação, pesando 620 gramas, e recebeu alta após 103 dias internada na UTI Neonatal da Santa Casa de Barretos.

A gestação era de gêmeas, mas no dia 28 de dezembro de 2025 Milena entrou em trabalho de parto prematuro após o rompimento de uma das bolsas e uma infecção de rápida evolução. As bebês nasceram durante o feriado de fim de ano. Hope não resistiu às complicações da prematuridade e da infecção. Já Ayla foi encaminhada imediatamente para a UTI Neonatal, onde permaneceu internada até 9 de abril deste ano.

Milena conta que viveu meses de medo, luto e incertezas, mas recebeu apoio constante da equipe do hospital. “Eu fui amparada todos os dias. Mesmo vivendo dor, incerteza e muita saudade, recebi apoio, cuidado e escuta. Nunca me senti sozinha. Ver minha filha pronta para vir para casa é um milagre”, afirmou.

A neonatologista Carolina Cardoso Ribeiro explicou que, por se tratar de uma gestação gemelar e de um parto de alto risco, duas equipes completas foram mobilizadas para o atendimento, mesmo durante o período de feriado. “Em casos gemelares, precisamos estruturar duas equipes de plantão. Mesmo sendo fim de semana e período de festas, organizamos profissionais da UTI Neonatal e do Pronto-Socorro para garantir assistência total”, destacou a médica.

Segundo ela, Ayla precisou de suporte intensivo logo após o nascimento. “Ayla, com 620 gramas, precisou imediatamente de medicação para maturação pulmonar, cateter umbilical e suporte avançado. Todos os materiais utilizados são específicos para neonatos extremos, e a Santa Casa dispõe de tudo o que esses bebês precisam”, afirmou.

Durante mais de três meses, a bebê recebeu acompanhamento de equipes médicas, enfermagem, fisioterapia, nutrição, psicologia e assistência social. A médica ressaltou que o atendimento também envolve acolhimento à família. “Nosso cuidado é integral: o foco é o bebê, mas também a família. Muitas vezes precisamos acolher, orientar, perceber medos, envolver a rede de apoio e garantir que essa mãe se sinta segura para o pós-alta”, completou.

A gerente da UTI Neonatal, Amanda Correia Borges, afirmou que o caso representa a rotina de atendimento da unidade. “Nossa UTI trabalha com protocolos, equipamentos específicos, equipe treinada e, acima de tudo, humanização. Ver a Ayla chegar a 620 gramas e sair saudável é uma alegria para todos nós”, disse.

A Santa Casa de Barretos atende exclusivamente pelo SUS e é referência regional em atendimentos de média e alta complexidade, incluindo maternidade e UTI Neonatal.