“De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos”
Diocese de Barretos - 30 de abril de 2026
“De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos”
Compartilhar
Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos.
O artigo sétimo do Credo nos projeta para a plenitude da história: Cristo voltará em glória para julgar os vivos e os mortos. Esta verdade não é anúncio de medo, mas proclamação de esperança e de justiça. Aquele que veio na humildade da Encarnação retornará na glória, como Senhor da história e juiz universal. O Catecismo ensina que, após a Ascensão, Cristo reina à direita do Pai e exerce seu senhorio sobre toda a criação (cf. CIC 668–670). Contudo, esse reinado ainda não se manifestou plenamente. Vivemos o tempo da Igreja, marcado pela tensão entre o “já” da salvação realizada e o “ainda não” de sua consumação. O Catecismo também afirma que Cristo virá novamente no fim dos tempos, em glória (cf. CIC 673). Essa segunda vinda — a Parusia — não depende de cálculos humanos, mas do desígnio do Pai. Porém, ela será universal – todos verão o Senhor e será definitiva – não haverá outra etapa após ela. Antes desse momento, a Igreja passará por uma provação final (cf. CIC 675), que testará a fé dos fiéis. Cristo, que é a Verdade, julgará cada pessoa e toda a humanidade (cf. CIC 679). Esse juízo revelará: as intenções do coração, as obras realizadas e a resposta de cada um à graça de Deus. O juízo não é arbitrariedade divina, mas manifestação da verdade. Deus respeita a liberdade humana e leva a sério as escolhas de cada pessoa. O mesmo Cristo que julga é aquele que morreu por amor. O Catecismo recorda que Ele é o Redentor de todos (cf. CIC 679). Isso significa que o juízo deve ser compreendido à luz da cruz: Deus quer salvar, não condenar; a condenação resulta da recusa livre da graça; e que a misericórdia é oferecida a todos. Num mundo frequentemente marcado por injustiças, impunidade e relativismo moral, o artigo sétimo do Credo oferece uma mensagem forte: a história tem sentido; que o bem e o mal não são equivalentes; e que Deus fará justiça. Essa verdade sustenta especialmente os que sofrem: nenhum gesto de amor será esquecido, nenhuma injustiça ficará sem resposta. “De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos” é a afirmação de que a história não caminha para o vazio, mas para o encontro definitivo com Cristo. Pastoralmente, este artigo nos convida a viver com responsabilidade e consciência e a confiar na misericórdia de Deus. Bem como nos motiva a perseverar no bem, mesmo diante das dificuldades. É preciso manter viva a esperança na vitória final de Cristo. O juízo final não é motivo de desespero, mas de confiança: o Juiz é o mesmo que nos amou até a cruz. E é nesse amor que seremos julgados.




