Dia Internacional da Mulher: entre a maternidade e a missão de proteger
Sandra Moreno - 8 de março de 2026
Denise Paro concilia as atividades profissionais com a vida familiar
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Delegada Denise Paro fala sobre maternidade, desafios e o acolhimento às vítimas de violência
Neste Dia Internacional da Mulher, a reportagem de O Diário conversou com a delegada de polícia Denise Paro, responsável pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barretos. Mãe de dois filhos — Álvaro, de dois anos, e a pequena Amália, com pouco mais de 40 dias de vida — ela vive um momento especial ao conciliar a maternidade recente com a missão de acolher e proteger mulheres vítimas de violência.
Em um cenário que uniu o lado profissional e o pessoal, Denise falou à reportagem ao lado dos filhos, sob o olhar atento do marido, Raphael Paro. Durante a conversa, refletiu sobre o significado de ser mulher, mãe e delegada, em uma rotina marcada por desafios e histórias de superação.

Delegada de polícia antes mesmo de se tornar mãe, ela conta que a maternidade trouxe uma nova forma de enxergar a própria profissão. “Eu fui delegada antes de ser mãe, mas ser mãe transformou a delegada”, afirma.
Para Denise, atuar na Delegacia da Mulher é mais do que exercer uma função pública: trata-se de uma missão. “Para ser delegada, a gente precisa ter um ideal, um propósito. E na DDM o principal objetivo é proteger outras mulheres, entender que por trás de cada ocorrência existe um contexto e uma história.”
MATERNIDADE
Segundo ela, a experiência da maternidade ampliou o olhar sobre as dificuldades enfrentadas por muitas mulheres que procuram ajuda. “A maternidade é um papel de muita força, mas também de vulnerabilidade. Muitas vezes a mulher não rompe uma relação de violência porque está pensando em como vai cuidar dos filhos ou porque não tem apoio”, explica.
Mesmo diante de histórias difíceis, Denise destaca que o trabalho também é marcado por momentos de esperança. “É muito gratificante quando vemos uma mulher que chegou fragilizada e depois retorna diferente, com autoestima renovada, reconstruindo a própria vida”, relata.
EQUILÍBRIO
Lidar diariamente com casos de violência exige também um equilíbrio emocional. Para a delegada, é impossível não se envolver com as histórias que chegam à DDM. “Se a gente não se envolve, vira máquina. Mas também precisamos aprender a deixar essas histórias no trabalho para conseguir estar inteiros com nossa família”, diz.
CORAGEM
Neste Dia Internacional da Mulher, Denise reforça uma mensagem de encorajamento. “Romper com situações de violência não é fácil, mas é importante que cada mulher entenda que ela é protagonista da própria história e que existe uma rede de apoio pronta para ajudar”, destaca. Segundo ela, muitas vezes as mulheres deixam de se proteger pensando nos filhos, mas é justamente essa proteção que pode fazer a diferença no futuro deles.



