Dissenso científico e gritaria
O Diário - 20 de janeiro de 2026
Danilo Nunes é advogado e professor. Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC
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Mais um ano eleitoral e o recomeço do debate sobre as pesquisas eleitorais, um dos assuntos mais espinhosos e indigestos do cardápio de almoço de família aos domingos até outubro e depois dele, no terceiro turno que parece não ter fim.
As regras para as pesquisas eleitorais já estão valendo desde 1º de janeiro e são regras claras: todas as entidades e empresas que realizarem pesquisas de opinião pública relativas às Eleições de 2026 ou eventuais candidatas e candidatos devem registrar o levantamento junto à Justiça Eleitoral, independentemente de divulgar os resultados. A exigência consta no artigo 33 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) e na Resolução do TSE nº 23.600/2019.
Pesquisa são um retrato do momento e mudam conforme o (bom ou mau) humor do eleitorado. Nos últimos vinte anos, com o advento das redes sociais, o questionamento às pesquisas quando comparadas aos resultados das votações têm sido cada vez maiores, estridentes e – por vezes – sem fundamento, beirando a ignorância. Estatistica é ciência utilizada e comprovada. É claro que há margens de erros, mas há um fator principal: as externalidades! Sim, fatores externos de todas as naturezas influenciam de modo singular e singificato nas pesquisas. Ora, então, “acabem com as pesquisas”... Eita povo brasileiro que sempre aposta no “tudo ou nada” quando se pode aprimorar o instituto “pesquisa eleitoral” utilizando-se não só a tecnologia, mas também as inteligências artificiais para que as pesquisas atuem mais diretamente no tempo e no espaço, buscando assertividade.
Negas pesquisa é negar ciência e sabe-se bem aonde a pandemia de Covid-19 levou à morte quem negou que o único caminho para o controle do vírus era, justamente, a ciência. As pesquisas eleitorais são institutos próprios do processo eleitoral, da democracia e do amálgama que é uma campanha.
A gritaria dos derrotados quando uma pesquisa é diferente do resultado das urnas só demonstra o despreparo de quem a critica e o quanto o Brasil é atrasado em pesquisa, ciência e análise de dados e carente de decisões baseadas em evidências empíricas. O avanço civilizatório da ciência nas pesquisas deve ser o norte. Os resultados são consequências do aprimoramento delas.
Danilo Nunes é advogado e professor.
Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC




