Esqueci minha senha
Domingo da Alegria: Vinde e Vede!

Diocese de Barretos - 14 de dezembro de 2025

Domingo da Alegria: Vinde e Vede!

Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos

Compartilhar


No texto evangélico deste domingo (cf.Mt 11, 2-11) João, na prisão, quando ouve falar de Jesus tem o sentimento de que o modo de agir de Jesus não correspondia plenamente ao que ele havia pregado. João havia dito que Jesus era o Juiz implacável que “está com a pá na mão; ele vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga” (cf. Mt 3,12. Jesus, no entanto, acolhe os pecadores, senta-se à mesa com eles, parece não dar tanta importância à alguns costumes judaicos, não respeita o sábado. Daí a pergunta de João: “És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro? ” ((Lc 11,3). A resposta de Jesus não deixa dúvidas: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo; os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não escandaliza por causa de mim! ” (Lc 11,4-5). As obras de Jesus falam por ele. Tudo o que havia sido profetizado a seu respeito se cumpria aos olhos das pessoas. O que parecia ser impossível tornava-se realidade; havia somente um senão. Os que deveriam ser os primeiros a acolhê-lo, o rejeitavam. Os mestres de Israel que se orgulhavam da observância fiel da Lei, o desprezavam e o ridicularizavam, dizendo que estava possuído por Belzebu, o príncipe dos demônios. Esta é a dura realidade que acompanha a missão da Igreja até hoje. Nem sempre ela é compreendida, mas ao contrário muitas vezes é ridicularizada porque não diz o que as pessoas, muitas delas bem religiosas, gostariam de ouvir. Num tempo onde a religião servia como uma alfândega, classificando “puros” e “impuros”, Jesus acolhia a todos e oferecia a todos a chance de uma nova vida. Hoje, também para nós Jesus continua a dizer: “Vinde e vede! ” O seu Reino não é para alguns privilegiados, não é uma seita destinada a alguns poucos escolhidos, mas se destina a todos os que são rejeitados, mas que são capazes de descobrir em Cristo a luz que ilumina suas vidas. Enchamo-nos de alegria pela proximidade da chegada do Senhor. No Natal Ele continua a revelar-nos a sua presença nos traços de uma criança indefesa, que traz sobre os seus ombros a marca da realeza, capaz de salvar todos os que dele se aproximam com fé, dispostos a viver como ele viveu.