Domingo de Ramos da paixão do senhor
Diocese de Barretos - 29 de março de 2026
Domingo de Ramos da paixão do senhor
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Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos
O relato da Paixão de Jesus que a liturgia nos propõe neste domingo (Mt 27, 11-54) nos coloca diante de Jesus em casa de Pilatos, governador da Judéia. A acusação que lhe fazem é de que ele se declara “rei dos judeus”, portanto, inimigo de César, o imperador Romano, portanto, um subversivo condenado a morte infame da cruz. O diálogo de Pilatos com Jesus domina quase toda a cena. Pilatos está convencido de que Jesus não tinha a intenção de ocupar o lugar de César; era um galileu que arrebanhava pessoas, anunciava-lhes uma mensagem religiosa incapaz de degenerar numa insurreição contra o domínio romano, falava-lhes de um Reino que era dos Céus e manifestava seu poder curando os enfermos e libertando os endemoniados. Diante da resistência dos chefes dos sacerdotes e anciãos que incitavam a multidão ali presente para pedir a morte de Jesus, Pilatos oferece-lhes a possibilidade de libertar Jesus, através do indulto que lhe era concedido por ocasião da Páscoa; mas, os chefes dos judeus e a multidão preferiu um criminoso “Barrabás”, do que a Jesus de Nazaré. O evangelista nos diz que Jesus permanecia em silêncio, absoluto silêncio. A mulher de Pilatos o adverte que em sonho havia sofrido por causa de Jesus, a quem lhe pedia que não se envolvesse nessa trama maldita. Entretanto, Pilatos vendo que não conseguia nada e, a desordem aumentava, lavou suas mãos, pensando com esse gesto livrar-se da responsabilidade da morte de Jesus. E a multidão ironicamente responde: “O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos”. Evidentemente que as palavras da multidão incitada pelas autoridades religiosas de Israel não devem servir de pretexto para qualquer antissemitismo. Foi uma reação induzida pelos chefes religiosos, que obrigaram Pilatos a condenar Jesus a morte. Mateus falava muito brevemente da flagelação de Jesus, mas se alonga quando se trata de coroação de espinhos de Jesus. Os soldados romanos debocham de Jesus, tratam-no como um palhaço, forjando um manto real e uma coroa para aquele que era condenado por dizerem que se considerava “rei dos judeus”. Levando para um lugar chamado “Gólgota”, ou seja, lugar que chamavam de Caveira, o crucificaram e deram-lhe de beber vinho misturado com fel; e, ali aos pés da cruz sortearam sua veste, que serviria como pagamento ao carrasco. Crucificaram-no colocando sobre a sua cabeça por escrito a razão da sua condenação: “Este é Jesus, o Rei dos judeus”. Com ele, foram crucificados dois ladrões um à direita, outro à esquerda” (27, 36). Na Cruz Jesus é escarnecido e injuriado: “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! Rei de Israel que é, que desça agora da cruz e creremos nele! Confiou em Deus pois que o livre agora se é que se interessa por ele! ” Mateus nos fala da escuridão que caiu sobre a terra no momento que Jesus morria. Fala também do véu do Santuário que se rasgou em duas partes, de cima a baixo, do tremor da terra e dos túmulos que se abrem, permitindo que os falecidos ressuscitassem (cf. 27,51-52). Os sinais que acompanham a morte de Jesus já atestam a sua vitória e surgem como uma imagem da sua ressurreição. [...] Ao celebrar a paixão de Jesus nós nos damos conta de que somos contemporâneos dela. Hoje, Ele continua a ser condenado e rejeitado dos centros de decisão, ignorado pelos detentores do poder, desprezado e injuriado por aqueles que dizem ser seus discípulos, mas o ridicularizam pela sua conduta que testemunha contra a sua fé. Por isso, ao celebrar a Paixão de Jesus cabe a nós nos perguntar se continuamos a fazer o mesmo que Pilatos fez lavando as mãos diante da sua responsabilidade, preferindo seu conforto; ou como o centurião e os guardas que acompanhando a morte de Jesus declararam-no “Filho de Deus! ”



