Educação de Jovens e Adultos (EJA) atende 500 alunos em Barretos
luis.nascimento - 28 de março de 2026
Fabiana Abês, Eliane Vizicato e a professora Liamara com os alunos em sala de aula na Escola Dorothovio do Nascimento
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Modalidade de ensino é oportunidade de alfabetização para jovens, adultos e idosos
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) atende atualmente 500 alunos, na rede municipal de ensino em Barretos.
A EJA é uma modalidade de ensino brasileira, gratuita e inclusiva, voltada para pessoas que não concluíram o Ensino Fundamental ou Médio na idade regular.
Ela é destinada a alunos maiores de 15 anos (fundamental) ou maiores de 18 anos (médio), e oferece currículo flexível e tempo reduzido para a certificação, visando a inclusão escolar e profissional.
Tem como objetivo a alfabetização e o letramento, e a inserção do aluno na sociedade, fazendo com que ele seja participativo e ativo.
Em Barretos, a rede municipal de educação atende os alunos da EJA fundamental I, do 1 ao 5º ano, e a média de idades dos participantes pode ser de 15 a 100 anos.
A Educação de Jovens e Adultos em Barretos, atualmente conta o trabalho de 12 professores.
As aulas nas chamadas Salas Regulares, onde os alunos completam o Fundamental I em dois anos, são ministradas no período noturno, nas escolas João Ferreira Lopes, (bairro Rios), Dorothovio do Nascimento (Barretos II) e Maria Alves (São Francisco).
A EAJ em Barretos, também possui a modalidade Salas Para Vida Toda, no período diurno, tendo como objetivo manter os alunos ativos e inseridos.
Essas salas funcionam nas entidades Vila dos Pobres, André Luiz, APAE (Associação de Pais e Amigos de Excepcionais), ABAVIN (Associação Barretense Vida Nova) e o CEMEJA (Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos).
Eliane Vizicato, coordenadora municipal do EJA em Barretos, explicou que a modalidade de ensino oferece oportunidade para as pessoas, que não foram alfabetizadas ou não tiveram chance de completar os estudos.
“A EJA é uma oportunidade de que os alunos, as pessoas que não tiveram oportunidade na idade certa de completar os estudos, buscar conhecimento e de serem alfabetizados. Eles tem essa oportunidade agora. A partir dos 15 anos não tem limite de idade. Eles podem procurar as escolas. A rede municipal de ensino de Barretos, atende os alunos de modo geral, todos os munícipes e divide para as Salas Regulares, que são as noturnas, nós temos salas na Escola Dorothovio do Nascimento, temos na Escola João Ferreira e temos também na Escola Maria Alves, lá no São Francisco. Nós temos um diferencial, o município de Barretos, eu digo que é abençoado, porque nós temos as Salas Para Vida Toda, que são os alunos assistidos nas instituições, sob a gestão da Escola Maria Alves. Nós temos alunos assistidos na APAE, na ABAVIN, no asilo Vila dos Pobres, no André Luiz e também no CEMEJA. Esses alunos estudam no período diurno, o período aula é o mesmo que o noturno, são quatro horas de atividade plena e com isso, eles fazem atividade diversificadas. O objetivo principal, é fazer com que todos de modo geral, tanto das Salas Regulares, tanto das Salas Para Vida Toda, é fazer com que esse aluno, esse ser humano, ele possa ser inserido na sociedade de maneira plena, onde ele possa se reconhecer como cidadão, participativo, ativo. Que ele possar ler a placa de um ônibus, ele possa entender a dinâmica da sociedade e ele possa ser principalmente amado e acolhido. São assistidos aproximadamente 500 alunos” disse Eliane.
Fabiana Abês, vice-diretora da Escola Dorothovio do Nascimento, confirmou que a escola atualmente conta com 30 alunos no EJA.
“Nós atendemos em média, 30 alunos nesse ano de 2026, isso já funciona a quase uma década. Eles são assistidos, são acolhidos, é oferecido a eles o transporte. Quando chegam aqui tem o lanche, depois vão para a sala de aula. Por volta de 20 horas é servido o jantar, depois retornam para a sala de aula com a professora. São acolhidos, socializamos bastante. Eles pedem bastante a minha presença, da professora e da coordenadora, e são tratados como muito amor e carinho aqui na escola. A maioria dos nossos alunos tem de 70 anos para mais. Eles tem muita vontade em aprender. Vem aqui cada vez querendo mais. Percebi que hoje em dia o celular, é essencial na vida das pessoas, muitos deles não conseguem ler uma mensagem, receber a mensagem e saber o que a pessoa quer falar com eles. Tudo tem que ser por áudio, então eles tem essa necessidade e principalmente assinar o próprio nome. É um orgulho quando ele consegue assinar o nome. Quando ele consegue dirigir, tirar sua carta, ser considerado um cidadão de verdade”, confirmou Fabiana.
A aluna Zilda de Jesus Costa, de 76 anos, contou que voltou para escola, para incentivar o marido, o qual estuda na mesma sala.
“ Eu queria dar uma força para o meu esposo, porque queria que ele estudasse também, e também para mim aprender um pouco mais. Aproveitando essa força que estou dando para ele, para mim também está servindo. Eu estou gostando e tenho apreendido bastante, e sei ler e escrever. Eu estudei pouco, porque precisava ajudar a minha mãe, porque era muito filho, e ela costurava para fora e eu tinha que ajudar a cuidar dos irmãos”, confirmou.
Marcia Aparecida Vieira, de 62 anos, também é aluna do EJA na Escola Dorothovio do Nascimento.
Ela disse que para ela, poder estar na escola é uma benção.
“É uma benção, porque não é só um aprendizado, nós temos um acolhimento dos professores, que são bençãos nas nossas vidas, nos tratam com carinho e com respeito. Tem também a questão de como virmos para cá, é disponibilizado para gente, perua para o nosso transporte. Nos pegam perto de casa, aqui também refeição. Eu estou aqui há quatro anos, e tem sido maravilhoso. É muito gratificante estar aqui aprendendo e tendo novas amizades, isso é muito importante. Quando eu vim para cá eu não era alfabetizada, eu tive um princípio de alfabetização porque eu morava em São Paulo, e trabalhava num colégio particular na Vila Madalena. A dona do colégio, nos ofereceu um estudo, nós tínhamos duas horas após o trabalho. Quando o colégio fechava nós estudávamos duas horas” relatou.
A aluna Dirnei Garcia de Oliveira Silva, de 79 anos, disse que retornar a escola, fez bem para saúde.
Diagnosticada antes com Alzheimer, ela atualmente está curada.
“ Eu estava meio perdida, devido que o médico me fez uns exames, e disse que estava com mal de Alzheimer. Eu estava lá no instituto, quando surgiu o convite para vir estudar, e eu vim. Então aqui eu aprendo, ensino, ajudo a Lia (professora). Eu quebrei o pé fez um ano. Por esse motivo, eu adquiri uma tontura e dessa tontura, o médico me fez um diagnóstico, que eu estava com mal de Alzheimer. E agora estou bem, não sinto nada. Eu tinha muita tontura, porque fiquei dois meses de cama, um mês esperando a cirurgia e um mês após a cirurgia. Eu tenho placa e parafuso no meu tornozelo, achei que nem iria andar direito mais. Fez um ano no dia 4 de fevereiro, que o médico disse que só depois de um ano, que eu iria ver melhora e foi mesmo, fiz várias fisioterapias, andei de andador e de bengala e agora ando com as minhas próprias pernas. E graças a Deus, aqui encontrei o que eu precisava. As pessoas que ainda não sabem ler e escrever, eu digo para elas procurar para apreender. Porque a gente sem o aprendizado, a gente não é ninguém. Você vê num restaurante um cardápio e não saber ler, o que tem ali para você comer. Eu acho isso muito triste. A pessoa tem que saber pelo menos um pouco, não precisa muito”, informou Dirnei.

Zilda de Jesus Costa, de 76 anos voltou para escola, para incentivar o marido a estudar

Marcia Aparecida Vieira, de 62 anos, disse que poder estar na escola é uma benção

Dirnei Garcia de Oliveira Silva, de 79 anos, disse que retornar a escola fez bem para sua saúde

Eliane Vizicato é coordenadora municipal do EJA em Barretos

Fabiana Abês é vice - diretora da Escola Dorothovio do Nascimento



