Esqueci minha senha
Em busca da saúde na era da medicina de precisão

O Diário - 9 de agosto de 2026

Em busca da saúde na era da medicina de precisão

SAÚDE: Dr. Hussein tem longa experiência em ginecologia e obstetrícia

Compartilhar


Médico explica sobre longevidade com qualidade de vida e tratamentos personalizados

Com longa experiência em ginecologia e obstetrícia, o Dr. Hussein Gemha Taha (CRMSP 66.186 / RQE 35.155) já realizou cerca de 60 mil partos, e com mais de 20 mil mulheres tratadas no climatério.

O médico barretense avalia a importância da prevenção e do cuidado com a saúde no dia a dia.

“Esperar adoecer para depois buscar um tratamento não é mais aceitável, a medicina evoluiu, e a principal doença do século não é o câncer ou as doenças do coração...nada disso. A doença do século é a falta de acesso à informação de qualidade que permita que você faça escolhas que gerem saúde e não doença”, explica. 

O Dr. Hussein ressalta que saber como o corpo funciona é uma poderosa ferramenta não apenas de autocuidado mas também de autoestima. Do conhecimento da anatomia do aparelho reprodutor à oscilação dos hormônios, mergulhar nesse assunto, que ainda é cercado por mitos e tabus, ajuda a prevenir doenças, evitar uma gravidez fora de hora, planejar melhor cada fase da vida e desmistificar a sexualidade. 

Em entrevista especial para O Diário, o médico  lembra que, com informações confiáveis, e a ajuda de um ginecologista, é possível tomar decisões sobre a saúde física e sexual com segurança e autoconfiança. Confira. 

O DIÁRIO: O que mudou na saúde da mulher desde que o senhor iniciou sua carreira?

DR. HUSSEIN: Hoje as mulheres tem acesso à Terapia Hormonal, com uso de hormônios bioidênticos (semelhantes ao que o organismo deixou de produzir), realizada com doses corretas, individualizadas, e via transdérmica (géis, spray, adesivos, implantes). Além de tratar os sintomas vasomotores, prevenir osteoporose, melhora a síndrome genitourinária, a secura e ardência, a dor durante a relação sexual, essas terapias oferecem benefícios cardiovasculares, e sem risco de trombose ou embolia. E hoje sabemos que o tratamento de reposição tem impacto mínimo sobre o risco de câncer de mama.

O DIÁRIO: Após mais de 60 mil partos e mais de 20 mil mulheres acompanhadas na menopausa, qual é o maior aprendizado dessa experiência ?

DR. HUSSEIN:  Em primeiro lugar o médico nunca deve parar de estudar, se atualizar, e sempre busco estar atento a essa nova era de medicina de precisão. E acima de tudo ser um apaixonado pela profissão, valorizando e honrando minha história.É fundamental que o médico goste de gente e que queira fazer a diferença na vida das pessoas.

O DIÁRIO: Existe um momento em que a mulher passa a olhar para si mesma de forma diferente?

DR. HUSSEIN: Sem dúvida na menopausa a mulher passa a se tratar mais. Os sintomas de ondas de calor, tristeza, insônia, Brain Frog (que é uma névoa mental), você passa a esquecer nomes de amigos, onde deixou o celular, o que foi buscar na cozinha, além da insônia e queda da libido. Por muito tempo falar abertamente sobre menopausa era um tabu. Hoje cada vez mais gente levanta a bandeira de que menopausa não é sinônimo de envelhecimento, não é o fim e sim uma nova fase de redescobertas e ficar livre da TPM, cólica, menstruação. O tratamento deve ser iniciado dentro da janela de oportunidade, ou seja, antes dos 60 anos de idade ou com menos de 10 anos de menopausa, logo no início da menopausa. Nesse momento a mulher já está mais segura, e busca melhorar a sua qualidade de vida. A menopausa é fisiológica, porém o sofrimento não.

O DIÁRIO: O que a obstetrícia ensinou nesse tempo?

DR. HUSSEIN: O obstetra é o médico da mulher grávida, para realizar um pré-natal bem feito, orientações dietéticas, enfim preparar e estar atento às alterações que a mulher vai passar, se transformando em uma mãe. O parto humanizado não é um modismo de agora, o parto sempre é humanizado, e tenho a responsabilidade do nascimento de uma mãe e de um bebê.

O DIÁRIO: Afinal, menopausa é uma doença?

DR. HUSSEIN: Não, menopausa é a última menstruação, quando a mulher fica um ano sem menstruar aí sim chamamos de menopausa. Ela ocorre por volta dos 49/50 anos, mas como sempre falo para minhas pacientes, você não dorme hoje com hormônio e acorda amanhã sem, os hormônios vão caindo a partir dos 38/40 anos, tudo o que somos são hormônios em ação, e é por isso que envelhecemos.

O DIÁRIO: A reposição hormonal é segura? E o que são os hormônios Bioidênticos?

DR. HUSSEIN: Hormônio bioidêntico é chamado assim porque usamos hormônios com uma estrutura química semelhante aos produzidos naturalmente pelo nosso organismo, apesar de serem feitos em laboratório. Diferente dos hormônios sintéticos, os hormônios bioidênticos têm ação fisiológica e natural dentro do nosso corpo. O termo bioidêntico é utilizado para preparações que contêm os hormônios estrona, estriol, progesterona, testosterona, melatonina, tiroxina, o hormônio do crescimento humano recombinante e outros tantos. Utilizados de forma correta, na dose certa e pelo tempo certo, são seguros e produzem baixa probabilidade de efeitos adversos.

O DIÁRIO: Quais hábitos fazem mais diferença aos 40, 50 e 60 anos?

DR. HUSSEIN: Estilo de vida influencia, e cada vez mais as pessoas começam a se conscientizar disso. Algumas orientações são uma dieta adequada, com proporções de carboidratos, proteínas e gorduras, evitar o tabagismo, fazer atividade física - recomendo 150 minutos semanais - respeitando os limites e objetivos de cada pessoa, diminuir o estresse, ter boa qualidade de sono, e aconselho um detox hepático e intestinal para corrigir a flora intestinal e ter bom humor.

O DIÁRIO: Porque emagrecer fica mais difícil na menopausa?

DR. HUSSEIN: Na menopausa ocorre uma transformação do corpo da mulher, acumulando gordura abdominal, aumento da resistência insulínica. A deficiência hormonal aumenta o hormônio da fome e diminui o da saciedade. Com o uso das canetas, com Tirzepatida, Semaglutida, a perda de peso realmente acontece. Os estudos demonstram que as mulheres que estão na menopausa e fazem uso da Tirzepatida perdem até 20% do peso, porém se ela estiver fazendo a reposição hormonal a perda de peso é maior.

O DIÁRIO: Como diferenciar emagrecimento saudável de modismo?

DR. HUSSEIN: A obesidade é uma doença crônica e recidivante, mais difícil do que emagrecer é manter o peso perdido. No Brasil, mais de 41 milhões de adultos vivem com obesidade, e mais da metade da população adulta apresenta excesso de peso. Sabemos que perder peso e manter hábitos saudáveis pode ser um desafio, mas você não precisa enfrentar isso sozinho. Obesidade é uma condição complexa, que envolve fatores biológicos, sociais e comportamentais. Ter acompanhamento com um médico que queira realmente te ajudar, com tratamento individualizado. Perder gordura e não massa muscular. É a medicina de precisão. Não se auto medicar, ou comprar a Tirzepatida do Paraguai, onde não sabe como é feita, armazenada e transportada.

O DIÁRIO: Depois de acompanhar milhares de mulheres ao longo de décadas de profissão, o que o senhor aprendeu sobre o verdadeiro significado de envelhecer bem?

DR. HUSSEIN: Meu trabalho não é apenas tratar a menopausa, a obesidade. É ajudar a mulher a viver mais anos com autonomia, disposição, autoestima, saúde sexual e propósito. Envelhecer é inevitável. Ficar velho é uma escolha influenciada pelos hábitos, pela prevenção e pelo cuidado adequado.