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Entendendo a fibromialgia

O Diário - 23 de setembro de 2026

Entendendo a fibromialgia

Nicole Lois Batista Estudante do 5º período do curso de medicina, orientada pela profª Ana Beatriz Santos Bacchiega.

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A dor crônica faz parte da realidade de milhões de pessoas e pode comprometer significativamente a qualidade de vida. Entre suas diversas causas, a fibromialgia ainda permanece pouco compreendida e frequentemente cercada por dúvidas, preconceitos e dificuldades diagnósticas. Mas afinal, o que caracteriza essa condição?

A fibromialgia é uma síndrome de dor musculoesquelética difusa, fadiga, alterações do sono, dificuldade de concentração e sensibilidade aumentada à dor. Contudo, existem outras etiologias para dor crônica difusa, tornando-se indispensável uma avaliação clínica extensa para excluir doenças autoimunes, metabólicas e neoplásicas, antes do diagnóstico. Diferentemente de doenças inflamatórias ou degenerativas, não costuma provocar alterações em exames laboratoriais ou de imagem, tornando seu diagnóstico essencialmente clínico.

Embora a fisiopatologia não seja totalmente compreendida, acredita-se que envolva a sensibilização central, onde o sistema nervoso processa estímulos normais como dolorosos. Entretanto, fatores genéticos, neuroquímicos, distúrbios do sono, estresse e emocional, também parecem influenciar o quadro clínico, reforçando o caráter multifatorial da doença.

Por não apresentar marcadores objetivos, muitos pacientes enfrentam descrédito no ambiente social, familiar e, por vezes, até no atendimento em saúde. A rotulação do sofrimento como “psicológico” ou “frescura” pode atrasar o diagnóstico, dificultar o tratamento e intensificar o impacto emocional da doença. O diagnóstico exige uma avaliação médica minuciosa, baseada no mapeamento da dor difusa e na escala de severidade dos sintomas associados.

O manejo da fibromialgia envolve abordagem multidisciplinar, incluindo atividade física regular, acompanhamento psicológico, melhora do sono e, quando indicado, medicamentos como antidepressivos e neuromoduladores. Mais do que tratar sintomas, é fundamental compreender a experiência do paciente e oferecer cuidado individualizado.

Reconhecer a fibromialgia como uma condição real e complexa é essencial para reduzir o estigma associado à doença e ampliar o acesso a diagnóstico e tratamento adequados.