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 Entre 16 dias e uma vida inteira

O Diário - 29 de novembro de 2025

 Entre 16 dias e uma vida inteira

Por Aparecido Cipriano – Autor da Lei Municipal

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Todos os anos, no fim de novembro, o país parece segurar o fôlego diante de uma verdade conhecida - quase quatro em cada dez mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência — física, psicológica, sexual ou patrimonial. Metade da população conhece ao menos uma mulher agredida; a outra metade só não conhece porque alguém silenciou.

É nesse clima, entre lembranças e urgências, que chegam os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Uma campanha internacional que começa no dia 25 de novembro, Dia da Eliminação da Violência contra a Mulher, e se estende até 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos — duas datas que, por si só, já dizem muito. No Brasil, o calendário se amplia e abraça também o 20 de novembro, porque falar de violência exige reconhecer todas as formas de desigualdade que nos atravessam.

Em Barretos, essa luta ganhou um dia próprio no calendário municipal. Por lei municipal, instituiu-se o Dia Municipal de Mobilização pelo Fim da Violência Contra a Mulher. É mais do que uma data, é um lembrete — quase um pedido — para que a cidade não se cale. Para que cada bairro, cada escola, cada família compreenda que combater a violência é uma tarefa de todos.

A crônica não termina no papel, nem no decreto. Ela continua nos gestos cotidianos, na pessoa que deixa de achar que “briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, na escola que acolhe, no amigo que escuta, no profissional que acredita, naquele que se levanta.

Os 16 dias passam. A campanha termina. O calendário vira. Porém, para quem viveu a dor, para quem sobreviveu ao medo, para quem ainda luta para recomeçar — a mobilização precisa durar o ano inteiro. Porque nenhuma mulher deveria esperar uma data para ser protegida. E nenhuma sociedade deveria precisar ser lembrada de que violência não se tolera, mas sim combatida... sempre.