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Entre cliques e crises: o impacto das telas na infância 

O Diário - 14 de maio de 2026

Entre cliques e crises: o impacto das telas na infância 

Beatriz Castilho Milani, estudante do 9. Período do curso de medicina da FACISB, orientada pela profª Barbara Sgavioli Massucato

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Antes mesmo de desenvolver a capacidade de entender e lidar com as próprias emoções, muitas crianças já estão expostas ao uso frequente de telas. Em um ambiente em que notificações, vídeos curtos e interações virtuais disputam constantemente a atenção, cresce a preocupação da medicina com os possíveis impactos desse padrão no equilíbrio emocional infantil.

Durante a infância, o cérebro encontra-se em intensa fase de desenvolvimento, especialmente nas áreas relacionadas ao controle emocional, atenção e tomada de decisões. As plataformas digitais são projetadas para estimular respostas rápidas e repetidas, por meio de recompensas como curtidas e novos conteúdos. Esse padrão ativa o sistema de recompensa cerebral, com liberação de dopamina, uma substância associada à sensação de satisfação, o que pode reforçar a busca por estímulos imediatos. Com o tempo, essa dinâmica contribui para maior dificuldade em lidar com atividades que exigem persistência e concentração prolongada.

Além disso, o uso excessivo de telas tem sido associado a alterações como ansiedade, irritabilidade e dificuldade em controlar impulsos e lidar com a frustração. A exposição contínua a conteúdos digitais, junto ao fenômeno de comparação social, pode influenciar a autoestima e a percepção de identidade em crianças e adolescentes. Outro fator relevante é o impacto no sono: o uso de dispositivos antes de dormir pode interferir na produção de melatonina, hormônio que atua na regulação do sono, prejudicando o descanso e, consequentemente, afetando o humor, a atenção e o equilíbrio emocional ao longo do dia.

Diante desse cenário, além de restringir o uso de tecnologia, torna-se essencial promover um uso consciente e orientado para as crianças. Em uma realidade cada vez mais conectada, o desafio não é afastar as telas, mas construir uma relação equilibrada com elas, preservando a saúde mental e o desenvolvimento integral na infância. Portanto, estabelecer limites, incentivar atividades fora do ambiente digital e acompanhar o conteúdo acessado são medidas que contribuem para um cenário mais saudável.