Entre o amor e o medo
O Diário - 30 de julho de 2026
Mari Armani, psicóloga especialista em psicanálise. @mariarmani.psi. WhatsApp (17)98225-1161
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É comum desejar um relacionamento e, ao mesmo tempo, sentir necessidade de se afastar quando o vínculo se aprofunda. Surgem dúvidas excessivas, desconforto diante da intimidade ou tentativas de controlar a relação. Na perspectiva psicanalítica, esses movimentos podem estar ligados a experiências emocionais precoces que influenciam, de forma inconsciente, nossa maneira de amar.
O amor nos coloca diante de uma condição inevitável: a vulnerabilidade. Quando houve vivências de rejeição, abandono ou insegurança, depender emocionalmente de alguém pode ser percebido como um risco. Assim, o controle surge como uma tentativa de proteção, embora frequentemente dificulte a construção de vínculos genuínos.
É importante diferenciar dependência emocional de interdependência saudável. Relações maduras não exigem autossuficiência absoluta, mas a capacidade de manter a própria identidade enquanto se constrói uma conexão significativa com o outro.
Observar padrões repetitivos nos relacionamentos, refletir sobre os próprios medos e reconhecer necessidades afetivas são passos importantes para relações mais saudáveis. Quando essas dificuldades geram sofrimento persistente ou comprometem os vínculos, a psicoterapia pode ajudar a compreender os conflitos inconscientes que sustentam esse medo.
E talvez a verdadeira intimidade comece justamente aí: quando percebemos que amar não é controlar, nem se anular. É encontrar um modo de permanecer sendo quem somos enquanto permitimos que alguém, de forma significativa, faça parte da nossa história.