Era vidro e se quebrou…
O Diário - 23 de abril de 2026
Danilo Nunes é advogado e professor. Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC
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A confiança é algo raríssimo e em desuso. Monteiro Filho atravessou o rádio nos anos 80 e 90 dizendo que “antes, a cidade era rica e as pessoas eram pobres. Depois, a cidade ficou pobre e as pessoas ficaram ricas”. Tudo indica que a cidade lamenta que “o amor que tu me tinhas, era pouco e se acabou”. Ninguém entendia naquela época a frase do Monteiro. Hoje ficou bem claro: a cidade empobreceu! E, em que pese tenha tantos talentos individuais, não é capaz de vencer o jogo em equipe. Por cima, breve lista de pessoas capazes de salvarem Barretos de si mesma e promoverem um fórum para pensar a cidade para os próximos cinquenta anos poderia ter João de Almeida Sampaio Filho-Zazo, ex-presidente da SRB e ex-secretário estadual; Cyro Penna Junior, da FAESP; Fernando Galletti Queiróz, da Minerva; o pesquisador Luiz Romagnolo; e, claro, a filantropa Madalena Almado. Além de gente que se fez a partir do conhecimento como Nathália Marcassa de Souza, consultora do setor privado de infraestrutura que atuou na ANTT; o empresário William Mateus Carvalho, da área de tecnologia; o engenheiro Paulo Estevão Cruvinel, da Embrapa; e o jornalista Matinas Suzuki Jr. Junto com eles, Henrique Bianco e André Luiz Rezek, ex-presidente da FEB, ex-vereador por três mandatos, presidente da Câmara 15/16 e líder educacional.
Fechando a lista, Hélio Navarro, ex-juiz em Barretos e advogado (candidato a prefeito em 1992) que, em sala de aula, já afirmou “eu me coloquei à disposição para ser prefeito e as pessoas não quiseram. Hoje, me dedico aos meus negócios”. Como pode alguém com a envergadura do dr. Hélio não ser membro nato de um conselhão consultivo da cidade? Quando gente como ele se retira, algo está muito errado. Quando a confiança não pode ser mais enxergada, há um problema claro no horizonte do para-brisa que era vidro e se quebrou.
É preciso entender em que momento a relação de confiança entre os barretenses e lideranças contemporâneas deixou de ser aliança e passou a ser bola de ferro para que a cidade avance algumas casas no tabuleiro do desenvolvimento.




