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Fazenda no sertão imaginário

O Diário - 19 de setembro de 2026

Fazenda no sertão imaginário

Marcelo Murta

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Pé de mamão papaia vira aeroporto de beija flor. Raízes trincando o velho vaso de antúrios. Veias abertas no canteiro. Meu templo primordial. Elementos da natureza lavando minha nova alma. Mergulho no mar de metáforas explorando as profundezas da essência. Frutos da terra. Meu quintal, minha fazenda modelo, nos fundos do Casarão dos meus pais. Sertão imaginário. Nos varais, roupas de Festa do Peão ao sol. Reminiscências da florada do Ipê. Da varanda assisto o filme sem roteiro. Sem personagens. Herói sem jornada. A linguagem é a artista principal. Diálogos de ecos de frequências. Drama. E se não houvesse o amanhã? Escrever me livra da solidão. Criar é certeza que estou vivo. Sorrio poesia. Cuspo prosa. Incômoda cadeira vazia. Penso em você. “A saudade é o azar de quem já teve muita sorte”. Ganhei sua megasena da paixão. Chama Gêmea. Signos de antepassados. Pardais me chamam a atenção. O Bem te vi é seu avatar. Você um Jardim de delícias. Fragrância de desejos ocultos. Beijos secretos na baia escura. Cheiro de grama molhada. Poeira de chão preto na Arena dos Sonhos. Sol derretendo memórias. Quantas histórias esquecidas nas arquibancadas. Sagrado silêncio no santuário dos Peões. Última montaria do domingo. Desafio final. A canção do vento é um coral de Andorinhas. Curando a dor dos que não foram campeões. Sina de não desistir jamais. Ano que vem tá logo ali. Na esquina da esperança. O sonho é de todos. O destino, de um só. Cada ação não requer uma reação. Melhor deixar pra lá o que tira sua Paz. Seu olhar tatuado no meu. Adeus é uma palavra triste. Quem sabe um dia é uma grande mentira. Mania de enganar o futuro. Abraços Cavalares.