Esqueci minha senha
Fé na era digital: onde está o nosso coração?

Diocese de Barretos - 13 de abril de 2026

Fé na era digital: onde está o nosso coração?

Fé na era digital: onde está o nosso coração?

Compartilhar


Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP

Vivemos conectados. Acordamos com o celular na mão, passamos o dia entre mensagens, vídeos e notícias, e muitas vezes vamos dormir do mesmo jeito. A vida digital já não é apenas um complemento — ela se tornou parte da nossa rotina. E é justamente por isso que, neste Ano da Fé em nossa Diocese, quero propor uma reflexão ao longo de três terças-feiras: como viver a fé na era digital? A pergunta é simples, mas profunda: a tecnologia tem aproximado ou afastado você de Deus? A internet não é algo mau em si. Pelo contrário, ela pode ser um grande instrumento de evangelização, comunhão e formação. Nunca foi tão fácil acessar a Palavra de Deus, acompanhar uma Missa, ouvir uma pregação ou partilhar conteúdos de fé. Porém, ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil se distrair, se perder e até esfriar espiritualmente. O problema não está na ferramenta, mas no uso que fazemos dela. Quantas vezes abrimos o celular “por um minuto” e, quando percebemos, já se passaram horas? Quantas vezes temos tempo para redes sociais, mas não encontramos tempo para rezar? Isso revela algo importante: o coração sempre segue aquilo que mais alimentamos. Jesus disse: “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (cf. Mt 6,21) Se o nosso tempo, atenção e energia estão voltados apenas para o mundo digital, corremos o risco de viver uma fé superficial, distraída e enfraquecida. A fé precisa de silêncio, profundidade e encontro. E o ambiente digital, muitas vezes, promove o contrário: pressa, comparação, excesso de informação e dispersão. Por isso, viver a fé na era digital exige uma decisão: usar a tecnologia com consciência espiritual. Algumas atitudes simples podem ajudar: Reservar um tempo diário sem celular para rezar. Evitar começar o dia direto nas redes sociais. Escolher conteúdos que edifiquem a fé. Fazer pausas digitais para escutar Deus. Não se trata de abandonar o mundo digital, mas de ordená-lo à luz da fé. O cristão não pode viver no automático. É preciso vigilância. Aquilo que consumimos diariamente forma nossa mente, influencia nossas escolhas e molda nosso coração. A grande questão não é “quanto tempo você passa online”, mas, esse tempo está te aproximando ou afastando de Deus? Neste caminho, somos chamados a redescobrir o essencial: Deus continua falando, mas é preciso criar espaço para ouvi-Lo. Na próxima terça-feira, vamos aprofundar ainda mais essa reflexão com uma pergunta muito atual: As redes sociais estão sendo lugar de evangelização… ou de dispersão? Seguimos juntos neste caminho de fé. Shalom.