Golpe do falso advogado lidera casos de estelionato
luis.nascimento - 4 de abril de 2026
ALERTA: Gustavo Coelho é delegado e orienta para vários tipos de golpes
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O delegado Gustavo Rodrigo Lopes Coelho, que atua na Central de Polícia Judiciária e como assistente na Seccional de Polícia de Barretos, confirmou que o crime de estelionato pela fraude eletrônica, em que criminosos se utilizam de contatos virtuais para fazer contatos com as vítimas e causar prejuízos financeiros, vem sendo registrados com frequência em Barretos.
“Essa modalidade criminosa, pode se dizer que é campeã de registros não só em Barretos, como em todo o País, devido a facilidades de transações que foram implementadas nos últimos anos, principalmente pelo Pix, que de um lado veio trazer benefícios e agilidade, por outro os criminosos infelizmente utilizam para perpetuar suas ações. Então essa modalidade tem bastante registros, hoje 70% dos boletins de ocorrências registrados são de estelionatos, principalmente a fraude eletrônica, onde muitas das vezes esses criminosos são de outras cidades de outros Estados, inclusive, e eles passam várias estórias para poder ludibriar as vítimas”, disse.
Ele informou que atualmente o principal golpe que vem sendo aplicado com frequência, pelos estelionatários é o golpe do Falso Advogado.
“ Hoje o golpe principal, que vem sendo aplicado é o do Falso Advogado, onde os autores se passam por advogado, através de contato pelo WhatsApp, utilizam as fotos do advogado. Eles conseguem acesso a dados e processos, infelizmente esses dados acabam sendo vazados e comercializados por mercados ilegais. Os criminosos obtêm dados de processos, do demandante, dados do valor da causa, e precatório que tenha sido expedido, e fazem contato com as vítimas se passando pelo advogado e sob diversos argumentos acabam conseguindo que as pessoas transfiram dinheiro para eles, para contas que eles informam, sob o argumento principal de que esses valores posteriormente serão descontados da causa principal, e devem ser utilizados para pagamentos de tributos referente a ação” informou.
O delegado Gustavo orienta para que quando ocorra esse tipo de situação, a pessoa entre em contato com o advogado que a está representando de fato.
“O que a gente poder orientar essas vítimas, é que sempre que receber esse tipo de contato, é buscar fazer contato com seu advogado de fato. Os contatos que são realizados por esses criminosos, muitas vezes são de telefones que não são de fato dos advogados. Eles pegam somente a foto, vai aparecer um contato diferente na agenda de conversa da vítima, em que o primeiro passo será ela questionar se o contato é de fato do advogado. E também usualmente não é aquele caminho comum, em que a vítima que recebeu ou vai receber um valor judicial, tem que realizar de imediato algum tipo de pagamento. Então é outro ponto que ela tem que questionar, o porque ela está recebendo um valor e terá que pagar. A pessoa deve entrar em contato com seu advogado de fato, principalmente se puder ir pessoalmente até o escritório, para confirmar se aquele contato é realmente do seu advogado, e se realmente houve a liberação de valores, se há necessidade desses pagamentos. Porque as vezes não tem, não há, são argumentos utilizados na artimanha e engenharia do golpe. E posteriormente também questionar qual o destino dos valores que devem ser pagos. Porque eles fornecem chaves Pix, contatos diversos, que muitas das vezes não fazem nenhum tipo de menção ao advogado em si, então é outro ponto, que as vítimas ao receberem esse tipo de contato, devem se questionarem, “qual será o destino dos valores que estão sendo solicitados? Porque uma vez que o contato não está na sua agenda daquele advogado, não possui como destino nenhuma conta vinculada ao advogado ao escritório, então são dois pontos que devem ser questionados de imediato pelas vítimas”, ressaltou
O policial também confirmou que os bancos possuem mecanismos para devolução de valores.
“Outro ponto que merece atenção é que os bancos possuem mecanismos em que se torna possível a devolução de valores. Um deles é o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que está sendo cada vez mais aprimorado pelo Banco Central. Esse mecanismo deve ser acionado, imediatamente após ser constatada qualquer tipo de transferência indevida. Porque o ressarcimento do valor pela instituição, está diretamente vinculado ao tempo de resposta. Quanto mais demorar, mais difícil vai ser o banco conseguir estornar esses valores e fazer o cancelamento das transações, porque eles fazem mediante rastreio do valor que saiu da conta. E infelizmente hoje, as contas, principalmente de bancos digitais, se propagaram de maneira intensa, então os criminosos possuem acesso a diversas contas que eles vão realizando transações imediatamente de uma conta pra outra, tornando mais difícil o caminho para a identificação final desses valores”, explicou.
O delegado Gustavo disse que a Polícia Civil tem buscado o aprimoramento das investigações tecnológicas para identificar esses criminosos.
“A polícia também tem se aprimorado nesse campo, com aprimoramento das investigações tecnológicas, para poder identificar esses autores e os beneficiários das contas. A fraude eletrônica, a partir de 2021, recebeu uma atenção especial do Código Penal, houve um aumento de pena de que já qualifica o crime de estelionato e também recentemente há um Projeto de Lei em andamento no Congresso Nacional para poder tipificar novas condutas em cima dos golpes, como eu relatei, tem ocorrido no País inteiro de maneira bastante numerosa. Esse tipo penal, também vai prever a punição daquele que fornece as contas, chamada conta “laranja”. Porque hoje há, um questionamento sobre o envolvimento dessas pessoas, porque muitas das vezes elas acabam alegando desconhecimento, porém, com a identificação delas vai ser possível, que elas respondam criminalmente por essas condutas, uma vez que sem o fornecimento dessas contas, o golpe acaba ficando sem muita razão de consumação, porque a conta de entrada dos valores transferidos pelas vítimas, torna possível a consumação desse crime. Os autores que estão por trás desses delitos, acabam beneficiados pelo envolvimento dessas contas laranjas e desses perfis falsos, que eles cadastram em contato telefônicos” disse.
O delegado informou que todos os dias a Polícia Civil, vem registrando casos de estelionatos em Barretos, e que além do Falso Advogado, outro que golpe que chama atenção é o “Terceiro Intermediário”, que envolve a venda de veículos.
“ Também tem um golpe do “Terceiro Intermediário” que envolve transações de veículos. Muita das vezes, a pessoa que está vendendo um veículo, recebe contato de um interessado, que muitas vezes argumenta que esse veículo será repassado para um terceiro. Ele na verdade, já vez cópia do anúncio e replicou e ao mesmo tempo ele conversa com outra pessoa interessada na compra, colocando as duas partes em contato, e informa ao comprador qual vai ser a chave Pix utilizada para o pagamento. Essa chave Pix não é vinculada ao vendedor, então a pessoa que está ali como comprador acaba ficando no prejuízo, uma vez que fez o pagamento para a terceira pessoa, que não repassa para o vendedor. Então nesse golpe específico, é importante questionar o porquê, em um contato de negócios você tem que omitir informações. Porque esse intermediário muitas vezes faz com que o comprador omita ao vendedor que está conversando com uma terceira pessoa, sob diversos argumentos ele acaba conseguindo convencer não relatar esse fato. Uma vez que relatado isso ao comprador as duas partes irão questionar o motivo dessa omissão e também qual é a conta destinatária, se essa conta tem vinculo com o vendedor, porque se não tiver é obviamente esse valor não vai chegar até ele, e o negócio não vai se consumar, ficando esse comprador em prejuízo” concluiu.




