Governar pelo para-brisa, não pelo retrovisor
O Diário - 19 de fevereiro de 2026
Aparecido Cipriano – Pós-graduado em Gestão Pública Municipal (UFSJ)
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A cada mudança de governo, o discurso se repete... a culpa é da gestão anterior. Faltam recursos porque herdamos dívidas. Obras não andam porque recebemos problemas. Serviços não funcionam porque a situação encontrada era crítica.
É verdade que muitos governos herdam problemas. Dívidas existem, há contratos mal feitos, estruturas sucateadas restam. A administração pública não começa do zero a cada mandato. Mas há uma diferença entre diagnosticar e se acomodar. Entre explicar e se esconder. Diagnosticar é necessário. Justificar-se permanentemente, não.
O cidadão compreende dificuldades, mas não aceita a política do retrovisor. No trânsito, ele é útil — mostra o que passou. Mas ninguém chega ao destino olhando apenas para trás. Quem dirige assim perde o rumo.
Governar exige responsabilidade presente. A partir da posse, o problema deixa de ser “herdado” e passa a ser assumido. A população não quer saber quem errou ontem; quer saber quem resolve hoje.
Municípios que avançam são aqueles que planejam. Que estruturam bons projetos, tecnicamente sólidos, e os apresentam aos entes superiores com seriedade. Recursos estaduais e federais existem, mas dependem de organização, articulação e insistência.
É preciso bater à porta do Ministério das Cidades, defender propostas de infraestrutura, mobilidade, habitação e drenagem com argumentos técnicos e planejamento consistente. Reclamação não libera verba. Projeto bem feito, sim.
A política do lamento paralisa. A política do planejamento transforma.
Governar é ter coragem de olhar para frente. E resolver exige visão. Visão de futuro. Com os olhos no para-brisa, as mãos firmes no volante e a convicção de que futuro se constrói com ação — não com desculpas. Ratifico que é preciso coragem para seguir adiante.



