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Hipérbole

O Diário - 27 de março de 2026

Hipérbole

Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie

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Figura semântica

Às vezes, para dizer muito, a língua prefere exagerar um pouco. Expressões que ampliam sentimentos, quantidades ou situações fazem parte da experiência cotidiana e revelam um procedimento conhecido na tradição gramatical como hipérbole, figura semântica baseada no exagero intencional. Esse recurso permite intensificar o significado de um enunciado e, ao mesmo tempo, construir imagens expressivas que expandem a percepção do leitor. A ideia não é descrever a realidade de forma literal, mas destacar emocionalmente o conteúdo da mensagem.

Do ponto de vista semântico, a hipérbole atua como mecanismo de ampliação do sentido. Exemplos tradicionais registram esse procedimento em frases como “morro de medo dos fogos de artifício” ou na afirmação de que alguém possui “um mar de sonhos e aspirações”. Em ambos os casos, o exagero não pretende descrever a realidade como exatamente ela é, mas reforçar a intensidade do sentimento ou da quantidade sugerida. Dessa forma, a linguagem recorre ao excesso calculado para tornar perceptível aquilo que, em sua medida real, poderia parecer menos expressivo.

Além de intensificar significados, a hipérbole contribui para a construção de imagens marcantes no discurso. Expressões como afirmar que algo foi repetido “milhões de vezes” ou que uma fila era “interminável” criam representações mentais imediatas, acentuando o impacto da mensagem. Nesse jogo expressivo, o exagero funciona como uma lente de aumento colocada sobre a realidade: amplia detalhes, destaca emoções e ajuda o leitor ou o ouvinte a visualizar com nitidez aquilo que o enunciado deseja comunicar. Portanto, a hipérbole, como figura de linguagem, transforma o excesso em estratégia de clareza e expressividade.

Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie