História: matéria-prima do turismo
O Diário - 14 de abril de 2026
KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora e titular da cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani
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A palavra da vez é sustentabilidade. É pensar em como viver em harmonia com o planeta, usando-o sem degradar a natureza nem prejudicar as pessoas – de agora e do futuro. É preciso desfrutar do hoje, garantindo o amanhã. Em resumo: usar sem acabar.
Essa máxima vale para todas as atividades humanas, dentre elas o turismo e todos os seus desdobramentos. É interessante o quanto o turismo vem crescendo nas cidades brasileiras, gerando resultados positivos na movimentação econômica – das grandes cidades às pequenas comunidades. É uma atividade importante que movimenta desde as pessoas que querem conhecer novas culturas até comerciantes, moradores, trabalhadores de locais que têm algo bonito a apresentar e oferecer.
Porém, como qualquer atividade, o turismo, se não for bem planejado e gerido pelos municípios, pode ser agressivo e predatório em vários aspectos. Como exemplos bem simples, temos as cidades litorâneas e os municípios interioranos famosos por suas cachoeiras, onde enorme quantidade de lixo é deixada por turistas (sem contar outras atitudes nocivas). As consequências disso são absurdas: vão desde a destruição do patrimônio ambiental até a interferência na vida e no trabalho dos moradores.
Para além do aspecto físico, há também o risco do impacto no patrimônio imaterial dos lugares turísticos, aquele que interfere na cultura e na identidade dos povos. O turismo precisa apresentar às pessoas o que de peculiar, único e especial aquele lugar possui, sempre com cuidado e verdade. Em Barretos, por exemplo, o Parque do Peão é temático e atrai multidões para conhecer a festa do peão e seus ícones, dentre eles o mundo country. Já a cidade de Barretos não pode ser forçada ao tema country, uma vez que a sua história e identidade advêm da pecuária, das feiras expositivas de animais, do majestoso Recinto, dos estradões, do berrante, da queima do alho, do centro histórico, dos córregos e de tantos outros lugares históricos. Não há nada country, e sim folclórico.
Dentro da cidade, são esses temas que devem nortear o nosso turismo: a nossa história. Porque só ela oferece – às pessoas de agora e do futuro – aquilo que é verdadeiramente nosso e que, de fato, elas querem conhecer.



