Home office e esgotamento
O Diário - 13 de maio de 2026
Mari Armani, psicóloga e especialista em psicanálise - @mariarmani.psi
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O trabalho em home office pode gerar esgotamento emocional ao dissolver os limites entre vida pessoal e profissional. A casa, antes espaço de descanso, torna-se também ambiente de exigência contínua, favorecendo sensação de cansaço constante, culpa e dificuldade de desligamento mental.
Sob a perspectiva psicanalítica, Freud entende o trabalho como espaço de sublimação e constituição do ego, mas o excesso de demandas pode levar à sobrecarga psíquica e frustração.
Bion destaca que a falta de processamento emocional adequado e de trocas sociais reduz a capacidade de organizar pensamentos, aumentando confusão e ansiedade. Winnicott alerta que a ausência de limites simbólicos pode favorecer o surgimento do falso self, quando o sujeito apenas cumpre tarefas sem sentir realização.
Nesse contexto, o home office intensifica riscos como irritabilidade, fadiga mental, sensação de vazio e queda de motivação. Ao mesmo tempo, estratégias de cuidado são essenciais: estabelecer rotinas e espaços definidos de trabalho, criar pausas, reconhecer limites, valorizar pequenas conquistas e manter vínculos sociais.
A psicoterapia também pode auxiliar no processamento emocional e na organização interna das experiências. Assim, o desafio do trabalho remoto não é apenas produtivo, mas psíquico: preservar a saúde mental depende da capacidade de separar, simbolicamente, trabalho e vida pessoal, garantindo bem-estar e qualidade de vida.




