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Homenageado lembra trajetória em pronunciamento no Troféu

luis.martins - 2 de abril de 2026

Sebastião Misiara durante seu discurso no evento comunitário

Sebastião Misiara durante seu discurso no evento comunitário

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Jornalista barretense faz discurso emocionado em evento no Parque do Peão

O jornalista Sebastião Misiara fez pronunciamento emocionado ao receber o Troféu Dom José de Mattos 2026 na comemoração do 57º aniversário de O Diário. O evento, realizado na noite de quarta-feira (1º), no Parque do Peão, teve renda total para três entidades filantrópicas: Educandário Sagrados Corações, Creche Clube das Mãezinhas e Lar da Criança.

O barretense, que é o atual presidente do conselho gestor da UVESP, lembrou sua trajetória política e profissional, citando o jornalista Monteiro Filho, fundador de O Diário e da Rede Vida de Televisão, como motivo de inspiração.  Confira o pronunciamento de Sebastião Misiara.

       É inestimável o prazer de estar aqui numa noite solene sinônimo da solidariedade.

       Cumprimento as três entidades que encabeçaram a venda dos ingressos para fortalecer as ações da Creche, Lar da Criança e Educandário.

       Quero cumprimentar, de coração, os amigos e amigas que aqui estão para os quais reitero meu carinho e amizade constantes.

       Deixo para saudar finalmente a casa que sempre foi meu porto seguro, meu começo, meu crescimento, minha caminhada em caminho fértil.

      A MINHA HISTÓRIA com a organização Monteiro de Barros é sublime. Comecei a trabalhar em rádio na cidade de Campinas. Voltei para Barretos a convite do ator Inácio Junqueira que assumiu a Rádio Piratininga, para que a licença de Nadir Kenan pudesse levá-lo à Assembleia Legislativa.

      Quando fiz minha primeira inserção no microfone, subia a Avenida 21 e um respeitável jornalista descia do outro lado da calçada. Ele atravessou a rua e veio me cumprimentar pelo meu começo.

      Aí encontrei o homem que transformou a minha vida. João Monteiro de Barros Filho.

      Um menino de 16 anos recebia então do chefe do departamento esportivo da rádio Piratininga o primeiro grande impulso.

     O segundo grande impulso recebi em 1969. No dia da mentira nascia uma grande verdade: “O Diário”. Monteiro me deu uma página diariamente para preencher. Sufoco total. “Você pode”, disse ele. Visite a região e consiga patrocinador. Você consegue.

  Na página fui obrigado a me aprimorar no português e, na venda o exercício de um bom vendedor de publicidade.

   O terceiro grande impulso, foram as eleições de 1972. “Misiara você vai se filiar a Arena e sair candidato a vereador, porque eu serei candidato a prefeito”, falou Monteiro. Fui obrigado a conhecer a arte da política.

  Não vou me alongar com minha carreira, mas devo dizer que esse homem, cuja inteligência, resiliência, poder de decisão, encantou os melhores acadêmicos de São Paulo, nunca deixou de pensar em sua cidade, usando seu prestígio a favor dela.

Esse homem que me deu os grandes impulsos teve o carinho de me chamar a sua casa, em um sábado à tarde para me confidenciar que iria fundar uma emissora nacional de televisão dedicada aos princípios cristãos.

Monteiro me recebia todos os sábados em sua sala na rádio e lá levava a ele, em busca dos conselhos, minhas aflições, meus temores, minha esperança e meus sonhos.

A sua sabedoria usei ao meu favor durante muitos anos e ele me ensinou que “Deus e nós temos negócios em comum, e quando abrimos o coração para receber a Sua influência, o nosso mais profundo destino se cumpre”.

Não fosse os conselhos do maior líder empresarial que conheci em toda a minha vida, certamente eu não teria sido vereador por 25 anos, não teria sido Superintendente da Fundação Faria Lima, não teria sido presidente de uma entidade que congrega 7 mil vereadores, não teria recebido títulos de cidadania conferidos em dezenas de cidades.

Não fossem seus conselhos seguidos cegamente por mim eu não estaria aqui recebendo uma homenagem extremamente significativa de uma organização que vive a vida da cidade durante toda a sua existência. Trago aqui o fenômeno Monteiro Filho, para que suas gerações e seu povo reverenciem o seu nome com o coração aberto e com aparente orgulho. Por tudo que ele é e por tudo o que ele representa.

Receber o Troféu Dom José de Mattos Pereira tem um significado especial para mim, principalmente por receber a homenagem na minha terra, onde tudo começou.

Minha mãe me disse um dia que quando faltassem suas orações para mim, que me dirigisse a Dom José de Matos Pereira, como meu intercessor junto ao Pai. Por onde passei, nas paredes, onde podia erguer os olhos e ver, estava o poster de Dom José de Mattos Pereira, principalmente na sala da presidência da Câmara Municipal, cujas decisões que eram tomadas antecediam uma consulta.

Tenho orgulho em dizer que, nas pesquisas anuais de José Vicente Dias Leme, nos dois anos de mandato, recebi nota 10 de todos os 16 vereadores, um ato inédito.

Pois é, amigos e amigas queridos. Cheguei aos 80 anos, não irei parar. Ulisses Guimarães disse um dia que gostaria de morrer fardado. Quero segui-lo, morrer como um soldado disposto a defender os ideais de sua pátria.

A Leonor, minha mulher, que sempre compreendeu a minha vocação e entendeu as minhas ausências como “Mascate do Municipalismo”. A ela devo o incentivo para cursar duas faculdades e graduar-me na Fundação Casper Líbero.

Quando conhecidos assumem posição de comando e me perguntam sobre assessoria, sempre sugiro que coloquem pessoas próximas e de famílias conhecidas. Sempre deu certo.

Comigo também foi assim. Devo ao Monteiro Filho a solicitação de contratar Silvia Melo na Associação Paulista de Municípios.  “Você irá se surpreender”, ele me disse. “Além de tudo somos ligados por laços familiares”, completou. Silvia começou com 17 anos na APM, e na Uvesp passou por vários cargos e, disputando com outros, ganhou em competência e eleição de toda a diretoria para ser a presidente executiva, cuidando da entidade no momento em que recebi novas convocações e novas funções. E faz isso com brilhantismo que faz seus amigos se orgulharem dela.

Ao Monteiro Neto, meu irmão de fé, meu amigo querido, irmão do melhor jornalista que conheci Luiz Antonio. O Neto ergueu a voz e defendeu a minha honra quando fui vítima da justiça simulada que é pior das injustiças, numa jogada politica da mais alta crueldade possível. Todavia, como a autoridade judiciária é soberana dentro da lei e em face do caso concreto, Monteiro Neto tinha razão. E com esse gesto do Neto aprendi uma grande lição. Não guardar magoas. Guardar nomes. Vou precisar deles para não tropeçar  duas vezes no mesmo lugar.

É chegado o momento de concluir. Sou um velho servidor do municipalismo, sem grandes ilusões, mas cheio de boa vontade de ver um país diferente do que temos hoje: Estado demais, Sociedade de Menos, superávit de burocracia e déficit de cidadania.

Em Wells, pequena cidade da Inglaterra, onde existe a mais famosa Catedral do século 12, tem uma tocante frase: “Think and Tanks”. Pensar e agradecer em todas as coisas pelas quais devemos sentir-nos gratos e agradecer a Deus todas as graças e todas as bondades que Ele nos concedeu, a mim fui agraciado com o melhor dos sentimentos: o da solidariedade com os chamados deserdados, os invisíveis, os que estão jogados nas calçadas da vida.

Por isso, também, para mim é uma noite muito especial.

Obrigado a todos.