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Homenagem a Emílio Cardillo

O Diário - 17 de abril de 2026

Emílio Cardillo e sua esposa Guiomar (Foto: Álbum de Família)

Emílio Cardillo e sua esposa Guiomar (Foto: Álbum de Família)

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Dia 16, quinta-feira, nos despedimos de um homem que deixa marcas profundas em todos que tiveram o privilégio de conviver com ele: nosso querido tio Emílio Cardillo.

Filho de Miguel Cardillo e Maria Aparecida, Emílio foi o caçula, o quarto filho de um segundo casamento marcado por desafios desde cedo. Perdeu a mãe ainda criança e, junto de seus irmãos, foi criado com amor, esforço e o apoio da família. Mesmo com a separação dos irmãos após a perda do pai, os laços nunca se romperam - especialmente com sua irmã Luiza, minha mãe, com quem manteve por toda a vida uma ligação forte, sincera e cheia de afeto.

Ainda jovem, encontrou o grande amor de sua vida: tia Guiomar. Mais do que esposa, foi sua companheira de caminhada, sua base e sua força. A família dela o acolheu como um filho, e juntos construíram uma história linda. Casaram-se cedo, e o tio Emílio se tornou um verdadeiro exemplo de homem de família, um “São José” dos tempos modernos, cuidando com dedicação e amor de sua esposa e de seus três filhos: Edna, Elvis e Emilinho.

Com muito esforço, construiu sua própria marcenaria e, com suas mãos habilidosas, ajudou a erguer não apenas móveis, mas sonhos - casas, fazendas, histórias de vida. Mas sua maior obra não foi feita de madeira: foi o amor que construiu ao lado de tia Guiomar, sólido, duradouro e inspirador.

Torcedor apaixonado do Botafogo, também brilhava nos campos de Botelhos, onde jogava como um verdadeiro craque. Tinha opiniões firmes, personalidade forte, mas um coração generoso e terno, especialmente com seus sobrinhos, a quem sempre acolheu com carinho.

Para mim, ele também deixa um símbolo eterno: as alianças do meu casamento, dadas por ele e por tia Guiomar, nossos padrinhos. Há 40 anos carrego comigo esse sinal de amor — reflexo do casamento bonito que eles construíram.

Minha mãe sempre teve um amor especial por seu irmão caçula. Ainda criança, cuidava dele com carinho, tentando amenizar a dor da perda precoce da mãe. Já adulta, mesmo morando em outra cidade, nunca deixou que a distância afastasse esse vínculo. Natais, casamentos e momentos importantes eram sempre oportunidades de união, algo que o tio Emílio valorizava profundamente.

Ele também teve um papel importante em sua comunidade, contribuindo para levar a REDEVIDA a Botelhos e incentivando ações sociais, sempre com discrição, mas com grande impacto.

Nos últimos anos, enfrentou com coragem desafios de saúde. Venceu um câncer, mas também viveu a dura realidade da demência senil. E, ao seu lado, esteve sempre tia Guiomar — pequena no tamanho, mas gigante no amor e na dedicação, cuidando dele com uma força admirável até o fim.

Dia 16, quinta-feira, tio Emílio partiu. Temos a certeza de que foi recebido no céu por sua mãe, seu pai, sua irmã e tantos entes queridos. Chega diante de Deus com a vitória de quem superou perdas, dificuldades e nunca perdeu a capacidade de amar, de ser humilde e de seguir com fé.

Fica entre nós a saudade, mas também um legado imenso: de trabalho, de família, de fé e, acima de tudo, de amor.

Obrigado, tio Emílio, por ser esse exemplo de homem, de esposo e de ser humano sensível aos que mais precisam.

João Monteiro de Barros Neto