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Imensas copas de história

O Diário - 6 de janeiro de 2026

Imensas copas de história

Karla Armani Medeiros, historiadora e cadeira 7 da ABC / @profkarlaarmani

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            São lindas e imensas as copas das árvores que enfeitam o jardim do atual Palácio da Cultura, antigo fórum de Barretos, na avenida 15, esquina com a rua 18. A beleza das grandes árvores não está apenas na dança que elas fazem junto ao vento e em suas deliciosas sombras, mas na história que elas carregam. Pois é, caro leitor, é como eu sempre digo: em Barretos, até mesmo as árvores têm história. 

            Era 1959, quando a cidade tinha um jovem juiz à frente da Comarca, dr. Geraldo de Farias Lemos Pinheiro, responsável por inaugurar o novo prédio, em fase final de construção, que abrigaria o fórum de Barretos. E, junto dele, também começava uma nova era para Barretos, afinal, aquele edifício era esperado havia décadas e foi conquistado por iniciativa da própria sociedade barretense. Para adornar o jardim à frente do prédio de moderna arquitetura, o juiz, junto à Companhia Paulista de Força e Luz, organizou uma solenidade especial para que o jardim à frente do prédio ganhasse vida. 

            Era 21 de setembro daquele ano, Dia da Árvore, e o fórum barretense convidou cerca de 25 advogados da comarca para plantar mudas de árvores no jardim da casa da Justiça. Os advogados de Barretos plantaram várias espécies, tais como flamboyant, pau-ferro, tipa, sibipiruna, quaresmeira, seringueira e ipê amarelo. As mudas foram adquiridas pelos candidatos a prefeito à época, afinal era período eleitoral, e junto a elas foram colocadas placas com os nomes dos advogados que as plantaram. Naquele período, a comunidade forense estava sensibilizada com a morte recente do advogado Savigny de Almeida Prado, motivo que levou o ato solene a ser também uma homenagem póstuma à sua figura. Disse o jovem juiz à imprensa que ficava feliz porque o ato “contribuía para a grande campanha que os poderes públicos vêm encetando no sentido de que sejam reflorestadas as áreas devastadas do Brasil, como símbolo de maturidade”. 

            O tempo se encarregou de desfazer as placas com os nomes dos advogados, além de algumas árvores que já se foram, mas o jardim do Palácio, antes da Justiça e agora da Cultura, continua a enfeitar os olhos daquela esquina com imensas copas de história. 

Karla Armani, historiadora e cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani