Inteligência artificial: quem controla o nosso futuro?
O Diário - 1 de julho de 2026
Kleber Aparecido da Silva é Professor Associado 4 do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais e em Linguística na Universidade de Brasília. Foi Visiting Scholar em Stanford University, Penn State University e CUNY Graduate Center, em New York. É Bolsista em Produtividade em Pesquisa pelo CNPq
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Vivemos uma época de grandes avanços tecnológicos. A inteligência artificial já está presente em nossas rotinas, influenciando o que lemos, assistimos, compramos e até mesmo a forma como nos informamos. Essas ferramentas trazem benefícios importantes, mas também levantam questões que precisam ser debatidas pela sociedade.
Muitas vezes, a tecnologia se apresenta como algo neutro e inevitável. No entanto, por trás dos algoritmos existem empresas, interesses econômicos e decisões políticas que influenciam a maneira como essas ferramentas funcionam. O que parece uma simples recomendação de conteúdo ou uma busca personalizada pode refletir critérios definidos por sistemas que não conhecemos e sobre os quais temos pouco controle.
O desafio torna-se ainda maior em sociedades marcadas por desigualdades históricas, como a brasileira. Estudos mostram que sistemas de inteligência artificial podem reproduzir preconceitos presentes nos dados utilizados para treiná-los, afetando especialmente grupos vulnerabilizados. Por isso, a discussão sobre tecnologia não pode ficar restrita aos especialistas. Trata-se de um tema que envolve democracia, cidadania e direitos humanos. Precisamos compreender quem controla os dados, quem desenvolve os algoritmos e quais interesses orientam seu funcionamento.
Ao mesmo tempo, a tecnologia pode ser utilizada para fortalecer a participação social, ampliar o acesso ao conhecimento e promover inclusão. O futuro não está determinado pelas máquinas, mas pelas escolhas que fazemos como sociedade. A pergunta mais importante não é o que a inteligência artificial pode fazer por nós, mas que tipo de mundo queremos construir com ela. A resposta dependerá da nossa capacidade de colocar a inovação tecnológica a serviço da justiça social, da democracia e da dignidade humana.