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Inteligência artificial: substituta, parceira ou assistente?

O Diário - 19 de dezembro de 2025

Inteligência artificial: substituta, parceira ou assistente?

Luiz Roberto Rodrigues Júnior é advogado especializado em Propriedade Intelectual e Direito da Inovação, pela FGV. Atua como sócio da empresa Somos Propriedade Intelectual, é também professor de Filosofia na Organização Internacional Nova Acrópole e poeta.

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A inteligência artificial tornou-se tema central dos últimos anos, suscitando debates sobre o futuro do trabalho e da própria humanidade. Sua inserção em diversas atividades já é uma realidade concreta, o que impõe ao profissional a reflexão sobre sua postura diante dessa potencial substituta, parceira ou assistente.

Ao longo da história recente, ciclos de transformação tecnológica exigiram constantes adaptações: da datilografia aos microcomputadores, do domínio básico de softwares à automação avançada. Em cada ciclo, novas competências deixaram de ser diferenciais para se tornarem requisitos mínimos de permanência no mercado de trabalho, gerando, invariavelmente, temores de substituição e desemprego.

Esse receio remete ao espírito luddista, reativo às inovações, mas incapaz de conter o avanço tecnológico. O economista Joseph Schumpeter, ainda nos anos 1940, descreveu esse fenômeno das transformações e seu impacto como “destruição criativa”: processo pelo qual novas tecnologias substituem estruturas obsoletas, eliminando funções antigas, mas criando oportunidades e impulsionando o progresso econômico no longo prazo.

Sob essa perspectiva, a inteligência artificial pode assumir múltiplos papéis. Atua como substituta ao automatizar tarefas repetitivas; como assistente ao ampliar a eficiência humana; e como parceira quando potencializa capacidades tipicamente humanas, como julgamento, criatividade e estratégia. O papel do trabalhador não desaparece, mas se transforma: deixa de ser executor para tornar-se supervisor, intérprete e agente ético do processo tecnológico.

O ser humano não precisa competir com a inteligência artificial. Ao liderar, interpretar e atribuir sentido à tecnologia, transforma a IA de ameaça em aliada e faz da convivência um caminho natural de progresso, para tanto, é necessário, mais uma vez atualizar-se.

Luiz Roberto Rodrigues Júnior é advogado especializado em Propriedade Intelectual e Direito da Inovação, pela FGV. Atua como sócio da empresa Somos Propriedade Intelectual, é também professor de Filosofia na Organização Internacional Nova Acrópole e poeta.