Inverno e saúde ocular: o que muda nos olhos durante os dias frios?
O Diário - 26 de julho de 2026
SAÚDE: Os oftalmologistas dra. Daniela Monteiro de Barros (CRM 109.939) e dr. Fernando Heimbeck (CRM104.673), especialistas em oftalmologia pelo Wills Eye Hospital, no Estados Unidos, são orientadores da Liga Acadêmica de Oftalmologia da Facisb (laof)
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Oftalmologistas esclarecem principais dúvidas sobre cuidados com os olhos durante o inverno
Os oftalmologistas Dra. Daniela Monteiro de Barros (CRM-SP 109.939) e Dr. Fernando Heimbeck (CRM-SP 104.673), especialistas pelo Wills Eye Hospital (EUA), esclarecem as principais dúvidas sobre os cuidados com os olhos durante o inverno.
Com a chegada das temperaturas mais baixas, é comum que aumentem as queixas de ardência, vermelhidão, sensação de areia nos olhos e visão oscilante. O clima frio e a baixa umidade do ar interferem diretamente na qualidade da lágrima, responsável por proteger e lubrificar a superfície ocular.
O DIÁRIO: O inverno realmente pode afetar a saúde dos olhos?
DRA. DANIELA: Sim. Durante o inverno, o ar costuma ficar mais seco, favorecendo a evaporação da lágrima. Isso pode provocar desconforto ocular, sensação de corpo estranho, ardência e irritação. Pessoas que já apresentam olho seco, alergias ou utilizam lentes de contato costumam perceber os sintomas com maior intensidade.
O DIÁRIO: Por que o ressecamento ocular aumenta nessa época do ano?
DR. FERNANDO: A lágrima funciona como uma camada protetora da córnea e da conjuntiva. Quando a umidade do ambiente diminui, essa camada evapora mais rapidamente. Além disso, o uso frequente de ar-condicionado e aquecedores contribui para deixar o ambiente ainda mais seco, aumentando o desconforto.
O DIÁRIO: Quais são os sintomas mais comuns?
DRA. DANIELA: Os pacientes relatam ardência, coceira, vermelhidão, sensação de areia, lacrimejamento excessivo, sensibilidade à luz e visão embaçada que melhora ao piscar. Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir que o olho seco pode causar tanto falta de lágrima quanto lacrimejamento reflexo.
O DIÁRIO: Quem tem maior risco de desenvolver olho seco?
DR. FERNANDO: Os grupos mais suscetíveis incluem pessoas acima dos 50 anos, mulheres após a menopausa, usuários de lentes de contato, indivíduos que passam muitas horas em frente a telas e pacientes com doenças autoimunes. O uso prolongado de computador e celular reduz a frequência do piscar, o que também piora o ressecamento.
O DIÁRIO: Ficar muito tempo em ambientes fechados pode agravar o problema?
DRA. DANIELA: Pode, e isso é bastante comum no inverno. Ambientes pouco ventilados, com aquecimento ou ar-condicionado, reduzem a umidade do ar. Quando estamos concentrados em uma tela, piscamos menos e distribuímos menos lágrima sobre a superfície ocular, aumentando a irritação.
O DIÁRIO: O que pode ser feito para aliviar os sintomas?
DR. FERNANDO: Algumas medidas simples ajudam muito: manter boa hidratação, evitar que o vento do ar-condicionado seja direcionado ao rosto, fazer pausas durante o uso de telas, piscar conscientemente e utilizar lubrificantes oculares prescritos pelo oftalmologista. Em casos mais intensos, pode ser necessário um tratamento específico para restaurar a qualidade da lágrima.
O DIÁRIO: Coceira nos olhos significa sempre alergia?
DRA. DANIELA: Não. A coceira pode ocorrer tanto em alergias quanto em casos de ressecamento ocular. O problema é que muitas pessoas esfregam os olhos para aliviar o sintoma, e esse hábito pode ser prejudicial.
O DIÁRIO: Esfregar os olhos pode causar doenças?
DR. FERNANDO: O atrito repetitivo está associado ao desenvolvimento e à progressão do ceratocone, uma doença que altera o formato da córnea e compromete a qualidade visual. Por isso, o ideal é identificar a causa da coceira e tratá-la adequadamente, em vez de esfregar os olhos.
O DIÁRIO: Usuários de lentes de contato precisam de cuidados especiais no inverno?
DRA. DANIELA: Sim. O ressecamento pode aumentar o desconforto durante o uso das lentes. É fundamental respeitar o tempo de uso recomendado, manter a higiene correta e procurar o oftalmologista caso ocorram dor, vermelhidão intensa ou diminuição da visão.
O DIÁRIO: Quando é necessário procurar um oftalmologista?
DR. FERNANDO: Se os sintomas persistirem por mais de alguns dias, se houver dor, secreção, sensibilidade intensa à luz ou visão embaçada persistente, a avaliação oftalmológica é importante. Muitas vezes o paciente acredita que se trata apenas de um ressecamento passageiro, mas pode haver inflamação da superfície ocular ou outra condição que exige tratamento específico.
O DIÁRIO: Qual a principal orientação para a população neste inverno?
DRA. DANIELA: Assim como cuidamos da pele e das vias respiratórias no frio, também devemos cuidar dos olhos. Pequenas medidas diárias fazem diferença na prevenção do ressecamento e na manutenção da saúde ocular.
DR. FERNANDO: O inverno não precisa ser sinônimo de desconforto visual. Hidratação, proteção contra o ar seco e acompanhamento oftalmológico regular são as melhores estratégias para manter os olhos saudáveis durante toda a estação.