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Jesus continua a ordenar “Tirai a pedra”

Diocese de Barretos - 22 de março de 2026

Jesus continua a ordenar “Tirai a pedra”

Jesus continua a ordenar “Tirai a pedra”

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Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos

A ressurreição de Lázaro narrada hoje no evangelho (cf. Jo 11, 1-45) é o último milagre realizado por Jesus, antes de entrar em Jerusalém para sofrer a paixão e ressuscitar. Ao longo do evangelho, o evangelista João narra sete milagres, desde aquele que aconteceu no casamento em Caná da Galileia (cf. Jo 2,1-11) até chegar a este da ressurreição de Lázaro que é o mais importante. Tratam-se de sete milagres, este é o sétimo. O próprio número indica que se trata do mais importante. Ao descrever este milagre o evangelista João vai como descortinando pouco a pouco o sinal por excelência que Jesus realizou para manifestar a glória do Pai. Quando Jesus recebe a notícia de que Lázaro seu amigo está doente, parece que Jesus fica indiferente e de propósito ficou mais “dois dias” onde estava, não se importando se haveria de encontrar Lázaro vivo ou morto. A única coisa que diz é “essa doença não é para a morte, e sim para a gloria de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela” (v.4). A reação dos discípulos diante da decisão de Jesus em retornar para a Judéia (Betânia onde moravam Marta, Maria e Lázaro fica a 20kms de Jerusalém) revela a tensão que havia em torno de Jesus. Para os discípulos dirigir-se à Betânia era expor-se à morte, por isso Tomé como que expressando o sentimento dos demais, diz: “Vamos nós também para morrermos com ele” (v. 16). João diz que “quando Jesus chegou, já fazia quatro dias que Lázaro estava no túmulo” (v. 17). Para os judeus os mortos permaneciam próximos dos seus cadáveres por três dias, por isso quando o evangelista diz que já fazia quatro dias que Lázaro estava sepultado, está afirmando que para ele não havia mais chance de recuperar a vida. O diálogo de Marta com Jesus está no centro do relato. Marta diz a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido. Mas eu sei que tudo o que pedires a Deus, ele te dará” (v. 22). E Jesus então afirma: “Teu irmão ressuscitará” (v.23). E por isso, diante da dúvida de Marta, Jesus declara: “Eu sou a ressurreição. Quem acredita em mim, ainda que morra, viverá. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre. Você, acredita nisso? ” (v. 26). E, mais uma vez encontramos uma das profissões de fé mais belas no evangelho de João, dos lábios de Marta: “Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo”. E, assim ocorre o milagre que jamais podiam imaginar, Jesus “comovido” (v. 38) chegou ao túmulo e ordenou que retirassem a pedra e depois de glorificar o Pai gritou com voz bem forte: “Lázaro, venha para fora! E o morto saiu. ” (v. 43). Jesus continua a ordenar “Tirai a pedra”. Ele não nos criou para o túmulo. “Por isso, somos chamados a remover as pedras de tudo o que cheira a morte; por exemplo, a hipocrisia com que se vive a fé é morte; a crítica destrutiva dos outros é morte; a ofensa, a calúnia são morte; a marginalização dos pobres é morte. O Senhor pede-nos para remover essas pedras do coração, e a vida então florescerá novamente ao nosso redor. Cristo vive, e aquele que o acolhe e adere a Ele entra em contato com a vida. Sem Cristo, ou fora dele, não só a vida não está presente, mas cai-se de novo na morte” (Papa Francisco)!